sábado, 29 de agosto de 2009

August and Everything after...


25/08: como eu já havia dito, acordei com o som da campainha. Era o funcionário da American Airlines trazendo minha Fender Telecaster. Depois de fechar a porta, desembalei o estojo sedento para conferir se estava tudo ok e também tocar alguns acordes de canções dos Counting Crows, já antecipando o que eu ouviria e veria no show daquela noite.
Depois do café desci para Manhatan para fazer uma ronda no Greenwich Village, bairro que frequentarei diariamente durante 9 meses. Dei um hello na escola IAR e depois me sentei com um jornal na Washington Square, selecionando alguns anúncios de apartamentos na região. Com um celular emprestado do Marcos tentei contato com corretores e proprietários, ficando então bastante aterrorizado com os valores dos aluguéis e principalmente com o estado ruim dos imóveis.
Após a última tentativa do dia, corri para o Hammerstein Ballroom, local onde aconteceria o show de Adam Duritz e cia.
Acho que só me dei conta do que isto significaria quando entrei no teatro, que já estava praticamente lotado.
Comprei uma Corona com limão, de 8 dólares ( ! ) e achei um bom espaço na pista, de onde eu receberia um presente de 4 horas de música pura.
A programação já previa a participação de 2 outras atrações : a banda Augustana e o cantor Michael Franti com seus Spearheads. Mas a surpresa foi a forma como o concerto foi estruturado: Counting Crows alternando com os outros artistas, durante todo o tempo !
O show ganhou um status de espetáculo, gerando diferentes dinâmicas e cores sonoras ao longo daquelas 4 horas. Os anfitriões do palco concederam, desta forma, um respeitoso destaque aos convidados, ao invés do costumeiro papel de "bandas de abertura".
Augustana, de San Diego, faz um folk rock pop bem na linha dos Crows.
Michael Franti & Spearheads, de San Francisco, surpreendeu o público com um som vibrante carregado de funk, soul e reggae.
E finalmente, minha expectativa de 16 anos de espera foi superada ao ver os Counting Crows em ação ! É uma verdadeira lição presenciar uma banda que teve seu álbum de estréia em 93, se apresentar com uma energia adolescente.
E simplesmente não há como explicar o que foi sentir de perto canções como Long December, Goodnight Elizabeth, Have you seen me lately, Omaha e é claro, Mr. Jones.
A foto acima mostra Adam ao final do show, estampando The Beatles em sua camiseta.
Depois da experiência que vivi naquela noite, posso pessoalmente renovar o sentido do título do primeiro disco da banda: August...and EVERYTHING after !
Enjoy the video below!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Rockland



24/08: cheguei ao aeroporto JFK às 10:15am, onde um motorista brasileiro me aguardava. Entrei no Lincoln verde de Ricardo com minha mala e minha mochila, mas sem minha guitarra. A telecaster ruiva havia ficado pra trás em Miami, mas a cia me garantiu que ela seria entregue no endereço que forneci, assim que o próximo avião chegasse em NY.
Botei fé na promessa, mas juro que respirei aliviado quando na manhã seguinte um funcionário da American bateu a campainha com a Fender em suas mãos; impecável.
O endereço era em Nanuet, bairro de Rockland ( beautiful name ! ) localizado ao norte de NY.
A casa era da familia DeSousa, onde Marcos, Helena e Philip me receberam de braços abertos e cama arrumada. Depois de um banho e um belo lanche, assisti o Late Show do Letterman ( ao vivo ) e desmaiei.

I'm going to New York !


23/08 : Os dias que antecederam minha saída do Brasil foram banhados por um mix de sentimentos que causaram as mais diversas sensações: euforia pela viagem, ansiedade pelo que encontraria ao longo da jornada, e angústia da distancia pelos 9 meses seguintes em outro continente. Entrei no avião bastante anestesiado, sem conseguir sentir que na verdade meu coração estava apertado, meu cérebro embaralhado e meu estômago esburacado.
Durante as 12 horas que se seguiram eu me vi tentando fingir que eu queria dormir, que aqueles 1/2 metros quadrados eram humanamente confortáveis e que aquelas comidinhas minúsculas eram saborosas. Todas as pessoas que deixei e suas faces e palavras perambularam pelos meus pensamentos enquanto eu assitia a cada milha percorrida pelo aviãozinho no mapa exibido nos monitores do Boing.
Apertado como uma sardinha, mas com a certeza de estar embarcando para um novo e belo caminho e com a felicidade dos amores e das amizades manifestadas em minha festa de despedida e bota-fora.
Obrigado !
See you later, Alligator !