
25/08: como eu já havia dito, acordei com o som da campainha. Era o funcionário da American Airlines trazendo minha Fender Telecaster. Depois de fechar a porta, desembalei o estojo sedento para conferir se estava tudo ok e também tocar alguns acordes de canções dos Counting Crows, já antecipando o que eu ouviria e veria no show daquela noite.
Depois do café desci para Manhatan para fazer uma ronda no Greenwich Village, bairro que frequentarei diariamente durante 9 meses. Dei um hello na escola IAR e depois me sentei com um jornal na Washington Square, selecionando alguns anúncios de apartamentos na região. Com um celular emprestado do Marcos tentei contato com corretores e proprietários, ficando então bastante aterrorizado com os valores dos aluguéis e principalmente com o estado ruim dos imóveis.
Após a última tentativa do dia, corri para o Hammerstein Ballroom, local onde aconteceria o show de Adam Duritz e cia.
Acho que só me dei conta do que isto significaria quando entrei no teatro, que já estava praticamente lotado.
Comprei uma Corona com limão, de 8 dólares ( ! ) e achei um bom espaço na pista, de onde eu receberia um presente de 4 horas de música pura.
A programação já previa a participação de 2 outras atrações : a banda Augustana e o cantor Michael Franti com seus Spearheads. Mas a surpresa foi a forma como o concerto foi estruturado: Counting Crows alternando com os outros artistas, durante todo o tempo !
O show ganhou um status de espetáculo, gerando diferentes dinâmicas e cores sonoras ao longo daquelas 4 horas. Os anfitriões do palco concederam, desta forma, um respeitoso destaque aos convidados, ao invés do costumeiro papel de "bandas de abertura".
Augustana, de San Diego, faz um folk rock pop bem na linha dos Crows.
Michael Franti & Spearheads, de San Francisco, surpreendeu o público com um som vibrante carregado de funk, soul e reggae.
E finalmente, minha expectativa de 16 anos de espera foi superada ao ver os Counting Crows em ação ! É uma verdadeira lição presenciar uma banda que teve seu álbum de estréia em 93, se apresentar com uma energia adolescente.
E simplesmente não há como explicar o que foi sentir de perto canções como Long December, Goodnight Elizabeth, Have you seen me lately, Omaha e é claro, Mr. Jones.
A foto acima mostra Adam ao final do show, estampando The Beatles em sua camiseta.
Depois da experiência que vivi naquela noite, posso pessoalmente renovar o sentido do título do primeiro disco da banda: August...and EVERYTHING after !
Enjoy the video below!

