quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Nowhere Man

Uau.
Como o tempo voa.
Sei que isso parece papo de velho e juro que não estou me sentindo assim... muito antes pelo contrário.
Mas não consigo me furtar às observações sobre o quão volátil o tempo me parece nos ultimos...tempos.
Eu poderia dar mil exemplos para tentar provar que esta minha sensação é mais do que real, mas vou me ater a uma única referencia: meus ultimos 12 meses.
Em agosto de 2009 eu parti para viver um sonho que se tornou uma aventura muito maior do que eu poderia imaginar.
Zarpar de BH para NY naquele dia 23 só não foi mais anestesiante do que a volta de lá para o Brasil no fim de junho de 2010.
Talvez eu precise até mais do que outros 12 meses para poder remontar cada pedaço desta incrível experiência em minha memória...de peixe grande.
A mordida que dei na Big Apple me nutriu com novos conhecimentos e habilidades antes inatingíveis; me apresentou a uma indústria que antes eu só lia em encartes de discos e créditos finais de filmes; me colocou em contato real com esta indústria que é tão difícil e concorrida quanto qualquer outra mas que só é impossível para quem fica sentado com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar; me presenteou com novas e belas amizades e contatos profissionais preciosos; me colocou em contato com alguém antes pouco conhecido e explorado por mim: eu mesmo.
Depois de várias semanas sem atualizar este blog, agora escrevo este capítulo de frente para minha nova workstation no Brasil, onde venho dando seguimento aos estudos do som e estreitando contatos que agora começam a apontar para direções profissionais reais.
No momento meus destinos se dividem entre Rio e SP, mas com base ainda em BH.
A saudade de New York permanece e se manifesta a cada cena de filme passada naquela cidade.
Graças ao Facebook e outras redes eu mantenho contato com novos e grandes amigos como Marcos, Iain, Jake e Aditi.
O tom deste blog irá mudar daqui por diante.
Os cenários também.
Prefiro me ver agora como um Nowhere Man, à serviço do vento e da música que será composta a cada dia.

All the best,
Dan

Vista da asa leste da nova workstation Limalab


sábado, 22 de maio de 2010

present tense...

Saudações !

Muita coisa aconteceu desde a minha última postagem.
De acordo com meu amigo Everton, fico sem dar notícias toda vez que entro em tratamento fisioterápico, if you know what I mean.
Acho que ele tem razão.
Um dia após meus pais terem ido embora eu recebi Cynthia no aeroporto JFK, provavelmente pela última vez: pois ela fica agora até o fim do meu curso !
Ela me encontrou no momento auge da minha experiência em NY, na qual eu estou totalmente envolvido com os trabalhos finais da escola e com as gravações em parceria com Iain.
Os trabalhos finais envolvem mixagens completas de 4 músicas e também a realização da trilha sonora completa de um vídeo. Ítens que farão parte do meu portifólio.
As gravações com Iain acontecem na medida do possível, e mais uma música acaba de sair do forno de Rutherford.


clique aqui para conferir : Pequenas Coisas


Neste mês, eu e Cynthia recebemos a visita dos amigos Dan e Patty, que ficaram uma semana conosco.
Apesar da minha correria, consegui tempo para curtir a presença deles em algumas noites e também num lindo day off que aproveitamos para atravessar a Brooklyn Bridge e almoçar no restaurante italiano de meu colega Matt Maschi. Aliás, recomendo a todos que conheçam o delicioso Patricia's, localizado aos pés da Williamsburg Bridge.


Nesta última quarta fomos ao show do Pearl Jam no Madison Square Garden: Live at the Garden !
Neste quarto show que assistimos da banda, tivemos uma perspectiva bem diferente, sentados atrás do palco. Inicialmente foi um choque ao descobrir a localização dos assentos, mas acabou sendo surpreendente a visão que tivemos do show, podendo flagrar lances de backstage, como Eddie Vedder fumando um cigarro a cada solo de guitarra de Mike. Sem falar nos goles extras de suas múltiplas garrafas de vinho.
Um maravilhoso show de 2 horas e meia, recheado de clássicos, muitos lados B e quase todas as músicas do novo disco.


Seguimos o final de semana aproveitando o bom tempo nesta primavera em NY, cheia de feiras livres, paradas com música e dança nas ruas, manifestações artísticas variadas acontecendo na Union e Washington Squares.




All the best,
Dan





sexta-feira, 30 de abril de 2010

Meet the parents...




Ouvindo o brilhante novaiorquino ( e brega, para muitos ) Billy Joel aqui no meu studio num sábado à noite, enquanto meus pais já entram provavelmente no segundo sono. O plano hoje era irmos a um show de Blues, mas o descanso foi necessário.
Seu Dilvo e Dona Dayse desembarcaram aqui no último sábado para ficar comigo até o próximo domingo.
O reencontro depois de 8 meses foi maravilhoso e a semana tem sido ótima com eles. Venho tentando levá-los ao maior número de lugares que eles dão conta, afinal o batidão de metrôs e caminhadas na Big Apple não é nada leve.
Mas o casal Lima Fonseca está curtindo ao máximo os prazeres da cidade: museus, parques, lojas, comidas, bebidas. O clima está ajudando bastante. A primavera trouxe sol, céu azul e novas cores para NY.
Amanhã iremos para Nanuet, casa dos DeSousa ! Quero muito que meus pais conheçam a família que me acolheu aqui quando cheguei !
No domingo ficaremos mais perto de casa, em Astoria, onde eles poderão se preparar para o vôo de volta ao Brasil, mais à noite. Isso, se minha mãe não me pedir para levá-la à Macy's, pela 5a vez. :)))




All the best
Dan

Considerações novaiorquinas aleatórias - Parte 1






Hurry-Up-City

New York é a cidade do coelho da Alice: " ai ai, meu Deus ! é tarde, é tarde, é tarde !!!".
Estou aprendendo um bocado com este ritmo, mas ainda gosto de ser o Chapeleiro Louco.


all the best,
Dan

sábado, 24 de abril de 2010

Detalhes inúteis e aleatórios do meu cotidiano em NY - PaRtE I






  • na Laudromat onde lavo minhas roupas trabalham uma chinesa e uma mexicana que vivem brigando, cada uma em sua lingua.                             Acho que as únicas coisas que elas sabem  falar em inglês são:                   soap e quarter ( moeda de 25 cents ).

  • O Paul McCartney é sensacional, mas a camiseta que ele vende por 40$ no show é vagabunda. Com uma lavada ela encolheu. Pode ter sido culpa também da chinesa ou da mexicana.                                                                     Anyway, sorte minha que tô mais magro e ainda posso usá-la. 



All the best,
Dan

domingo, 18 de abril de 2010

Little big things...




8:36am de um domingo de Abril.
acabo de chegar em casa após uma sessão de gravação memorável, que durou de meia-noite e meia até agora mesmo.
Na verdade, esta foi a terceira sessão de um projeto sobre o qual ainda não havia mencionado aqui no blog. "Vai saber" a razão disso...e vai saber mesmo!

Batizado como "Paracutá", o trio é formado por mim, Caroline Felmeier e Ernesto Lucar.
Conheci a local Caroline na convenção da AES, através de várias coincidências e indicações que estão entrelaçadas por contatos de Belo Horizonte. Ela e o peruano Ernesto estudam Music Technology juntos na NYU e, saindo do show do Metallica no último outubro, tivemos a idéia de criarmos algo juntos.
Mas só depois de algum tempo é que a idéia começou a se materializar, com o trio multi-nacional trocando emails e mp3 com rascunhos de canções a serem trabalhadas.
Participei de um primeiro ensaio/brainstorm e depois "não pude" comparecer a outros que aconteceram.
Dizem que é feio falar isso, mas a verdade é que me deu uma enorme preguiça de entrar em ritmo de ensaios com uma banda de novo. Acho que meu amigo Thiago Braga entende o que digo.
Apesar da minha distância, a dupla continuou a me procurar e apostar num novo encontro.
Me disponibilizei para contribuir fazendo as mixagens do material que eles viessem a gravar e assim o fiz. O resultado parece ter sido satisfatório e isto elevou as expectativas dos dois.

Há um mês atrás Feldmeier arrumou um novo emprego num studio de ponta, localizado no Village. E sendo agora parte da equipe, ela tem o direito de agendar sessões de gravação, por conta da casa.
Os horários coincidem exatamente com aqueles que tenho disponíveis: de meia-noite às 6 ! Além do fato de eu ter uma tendência natural para a vida noturna, não se perde uma chance de estar dentro de um studio classe A em NYC.
Trata-se de um andar inteiro de um prédio na Universidade de NY, com duas unidades de gravação independentes  e completas. Studio 505: console de mixagem SSL 3000k, Pro Tools HD, Studer 2"e uma lista de latarias analógicas. Studio 510: console Api Vision, Pro Tools HD, Studer 2"e mais uma série de lindas latas velhas. Cada sala com seu próprio kit de bateria e Grand Piano, com o bônus de um Hammond organ e um Fender Rhodes
Sem falar no arsenal de microfones, amplificadores e guitarras, tudo organizado metodicamente. A la sr.Dilvo, pra quem sabe do que eu estou falando.

A terceira sessão desta última noite foi disparada a melhor.
Sinto que uma energia genuína começa a brotar entre os 3, especialmente quando deixo a música me guiar e me percebo mais aberto e generoso com todo o processo.
Esta noite foi especialmente especial devido à presença de Iain, que aceitou meu convite para visitar o studio. Mr. Fraser não só chegou junto conosco, mas também passou a noite toda se envolvendo com idéias, motivação e nos ajudando a desvendar o cérebro eletro-eletrônico do studio que vai muito além de  um computador com uma placa de som. Presença preciosa !

Tenho em mãos uma mixagem para fazer, contendo elementos captados nas melhores condições técnicas e artísticas que eu jamais estive envolvido. A música é um belo pop rock de Ernesto, cantado em spanish e com uma instrumentação simples e orgânica.
Não poderia haver momento melhor do que este para eu estar exposto ao ambiente profissional do áudio.
Afinal, amanhã será o primeiro dia do último módulo de meu curso, no qual terei Workshops de gravação semanais no studio do IAR, além de aulas de mix, master e pós produção.
Os trabalhos com Iain continuam em Rutherford, crescendo em qualidade, energia e amizade. Uma nova música está pra nascer.
De repente me vejo completamente ocupado...dia e noite, literalmente.
Semana intensa pela frente... novas matérias e professores... trabalhos a serem feitos... aniversário de 3 anos de casamento à distância... chegada de meus pais para uma visita.
Sei que vou precisar de disciplina e concentração para trabalhar todas estas atividades e também do coração aberto ( mais uma vez, pra ver se eu entendo isso de uma vez por todas ! ) para viver todas estas relações.

Até a próxima !
all the best,
Dan


segunda-feira, 5 de abril de 2010

the long and winding road...




Eu ja tinha 70% desta edição escrita, pois fui atualizando o Notes de meu iPod a cada passo durante este fim de semana. Mas ao chegar em casa e tentar sincronizar com o computador, apertei um botão errado e perdi tudo. Eu sei: dumass ! ( leia-se: mas que burrrrro ).
Olhando pelo lado bom, acho que isso livrou você, leitor, de um texto exageradamente detalhado e chatonildo.
Sendo assim, vou tentar recontar a saga de minha viagem pra ver Paul McCartney em Miami, de uma forma mais dinâmica.

No último sábado enfrentei 2 horas de baldeações de metrô até o aeroporto JFK, pra pegar um vôo da Delta para Miami.
O avião decolou pontualmente e cheguei ao meu destino às 4 horas da tarde.
No aeroporto, iniciei uma pesquisa para descobrir a melhor forma de chegar ao estádio e, para minha surpresa, ninguém parecia saber a localização do mesmo, muito menos sobre o show do Paul. Graças ao poderoso Google, eu tinha o endereço comigo e pude usá-lo pra consultar o preço dos transportes. Acabei escolhendo uma van compartilhada, um shuttle, que sai deixando gente em vários locais.
E lá se foi aquela van guiada por um mexicano maluco, levando uma família indiana pra um hotel, um casal paquistanês pra uma convenção e um brasileiro pra ver um rockstar britânico. This is America.
No caminho, uma Miami vasta e deserta. Milhas e milhas cheias de nada.
5 da tarde. Ao chegar no Sun Life Stadium, o motorista exclamou: "oh, the Miami Dolphins Stadium !!! ". Foi aí que descobri a razão pela qual ninguém soube me ajudar: a empresa Sun Life recentemente comprou os direitos de renomear o local. 

Estádio bonito e muito novo. 
O amplo estacionamento ainda vazio, com apenas alguns trailers e velhos hippies fazendo BBQ e escutando Beatles. Minha camiseta do Yellow Submarine foi suficiente para que eu ganhasse uns "ois" dos cabeludos ( quase carecas ).
Uma pequena fila começava a se formar na entrada do Sun Life, enquanto uma rádio promovia um mambembe concurso de Beatles Rockband. 

Comprei uma camiseta oficial do show e parti pra dentro do estádio.
Bebi uma Heineken como se fosse a última.
Mas como não era, bebi uma segunda e fui achar meu assento na sessão 145.

Não posso dizer que fiquei perto do palco, mas a estrutura de telões possibilitou uma visão quase intimista como o que acontecia por lá.
Além disso, o som foi tão bem mixado e distribuído pelas torres de delay, que a sensação de proximidade com a música foi muito verdadeira.
Sem dúvida, o velho Macca sabe muito bem como criar uma estrutura de show que atenda todas as expectativas de seus fãs. Ele sabe, pois conheceu uma realidade muito diferente, quando o poder de som era tão pequeno que era suplantado pela gritaria do público. Fato que by the way levou os Beatles a deixarem de se apresentar ao vivo.
Mas ali, naquele dia 3 de Abril de 2010 em Miami, me emocionei durante as 4 horas de show de Paul McCartney, que heroicamente destilou seus maiores sucessos, incluindo canções dos Beatles, dos Wings, de sua carreira solo e até mesmo homenagens a John e George. Tudo isso intercalado pelas velhas e batidas histórias contadas por Paul, sempre com seu infalível humor inglês. Batidas ou não, era Sir McCartney em pessoa, contado a história e sendo a história.
Um espetáculo da melhor música pop já feita, somada a condições técnicas impecáveis.

Sozinho naquele imenso estádio de baseball, cercado por estranhos com quem compartilho uma grande paixão, só pude lamentar o fato de não poder dividir toda a emoção com quem amo. Voltando a citar o filme "Into the Wild", a felicidade completa só existe quando é compartilhada.
Chorei e ri comigo mesmo ao pensar na absurda e patética idéia de pedir à simpática família ao lado que me levasse pra casa deles depois do show.

Como a tal idéia permaneceu apenas na cabeça, depois do show lutei por 1 hora até conseguir um taxi que me levasse de volta ao aeroporto. Mais 40 minutos pra chegar até lá. Sem pressa, afinal eu ainda tinha 6 horas até o embarque pro meu vôo de volta a NY. 
Aeroporto deserto. Restaurantes fechados. Fooome !
Sacrifício? De forma alguma !!!
Eu vim esperando por este momento desde que me apaixonei pelos Beatles quando criança. 
Quando finalmente coloquei os pés em casa, ao meio-dia do dia seguinte, tomei um merecido banho, comi uma merecida pizza e desmontei com a certeza de ter realizado um verdadeiro sonho.
E fui dormir pra me abastecer de novos sonhos.
Pois é assim que deve ser.


All the best,
Dan

ps: postei um video no youtube, com algumas cenas do show. Favor não reparar a qualidade sem vergonha da imagem e do som, feitas com uma câmera sem vergonha que comprei antes de ir, e que já devolvi quando cheguei.
Sem vergonha. 




segunda-feira, 29 de março de 2010

Weird Fly



Na madrugada deste último sábado eu fechei a mixagem da minha mais nova música.
Foi a primeira experiência de co-produção com Iain Fraser, professor do IAR que me ensinou Audio Processing and Storage no segundo módulo do curso.
O trabalho rendeu uns 4 ou 5 sábados, nos quais eu me desloquei para Rutherford.
Fraser reside nesta pequena e pacata cidade de NJ e lá mantém um basement studio que não é grande mas é muito bem equipado.

Cheguei com trilhas previamente produzidas em casa, incluindo programação de bateria, synths e algumas linhas de guitarra.
Durante o trabalho com Iain, adicionamos diversos elementos e remontamos a estrutura da música.
Além de um cérebro comandado pelo Pro Tools TDM, o studio conta com uma série de "latarias" analógicas como prés e compressores valvulados, simuladores de tape compression e uma bela coleção de guitarras e violões.
Gravamos um lindo violão Taylor microfonado em stereo, que na mixagem trabalhou aberto, em LR, dando um vital corpo para a canção.
Minha adolescente telecaster falou bonito através do cabeçote Line 6 que empurrava um cabinet MESA.
Meu vocal foi captado por um condensador valvulado, tanto nas partes limpas quanto nas outras em que usei um legítimo megafone de polícia.
Minha pré-produção de bateria foi revitalizada ao passar pelo poderoso sampler BFD2, que simula até mesmo o posicionamento de microfones e o vazamento captado por eles.

Quem me conhece sabe que sou um criador solitário por opção.
Dividir idéias é uma coisa complicada e este foi sem dúvida um bom treinamento de trabalho em dupla/equipe.
Na verdade, toda a experiência do curso tem me exigido a prática do sharing.
Estar em salas de aula e laboratórios significa compartilhar espaço, tempo, atenção dos professores, idéias, opiniões, etc.

O plano é conseguir gravar pelo menos mais 2 músicas até o fim do curso.
Parece fácil, mas o tempo começa a me desafiar.
Esta semana vai ser um pouco mais tranquila devido à pausa de quinta a domingo para o holiday de Páscoa.
Mas só consigo pensar em uma coisa agora: sábado é dia de Paul McCartney em Miami !

aí vai o link para a música nova, que se chama "Weird".

Weird - by Daniel Lima


all the best!

Dan

domingo, 21 de março de 2010

having a blast !




é, eu sei.
tenho demorado pra escrever por aqui.
minha relação com o tempo tem sido uma loucura.
há dias em que o relógio ( que by the way agora eu uso ! ) praticamente pára.
geralmente isso acontece nos sábados à noite, quando não tenho nada pra fazer.
ou quando acabo recusando convites, por lazyness de pegar o trem pra Manhattan às 11pm.
isso acontece.
nos dias chatos, nem meus estudos e práticas de Pro Tools ajudam a passar o tempo.
nem as temporadas de House ( que by the way, estou viciado! ).
nem o God of War no PS3 ( que by the way, tenho que acabar de eliminar uma horda de Centauros ! ).
às vezes o relógio parece que anda pra trás também.
mas isso é mais quando mudam essas coisas de horário de verão ou de inverno.
ou então é efeito de água benta, que às vezes eu bebo.
por outro lado, tem semanas que parecem ter tido apenas um dia.
este dia mesmo, que acaba de se passar, pareceu ter um minuto.
no caso, eu estava em Rutherford-NJ, no estúdio de um ex-teacher chamado Iain Fraser, com quem estou trabalhando em músicas novas.
neste tipo de situação o tempo simplesmente "avua".
e é maravilhoso.

estou "comemorando" 7 meses de New York.
assustador.
outro dia mesmo, meu coração não cabia no peito.
ansiedade pela partida do Brasil, despedida da esposa, da família, dos amigos, do conforto.
excitação pela busca do sonho, pelo reencontro com a música, pelo desconhecido.
tenho mais 3 meses de curso pela frente.
meu coração não cabe no peito.
ansiedade pela volta ao Brasil, pelo reencontro com a esposa, com a família, com os amigos.
excitação pela conquista do sonho, pela vibração cada vez mais forte da música, pelo que foi conhecido !

Mal posso esperar para concluir esta missão e voltar às terras tupiniquins.
Descobri que gosto bastante do calor, mais do que imaginava.
os 4 meses de inverno aqui não foram fáceis.
se ao menos as pessoas fossem imunes às temperaturas, mas não são.
o inverno traz muita dureza, intolerância e baixo astral.
mas agora, o tempo mal começou a abrir por aqui e as pessoas já estão mais leves em todos os sentidos.
meus colegas já chegam pra aula de skateboards, vestindo bermudas e o hacky sack volta a ser o esporte favorito dos nossos intervalos.
na washington square as universitárias voltam a desfilar de biquinis ( enormes mas, what can I do ? ), se refrescando nas fontes.

sonho com meu retorno ao Brasil.
mas por outro lado sei que vou sentir a partida de NY.
para todos os efeitos, estabeleci uma existência aqui.
algo me diz que este não será o fim.
é apenas o início de uma nova relação com o mundo, com a noção de distância entre países e de amizades inter-nacionais.

falando em amizades, a foto de hoje mostra meu encontro com o velho companheiro Paulo Del Picchia, em sua visita de 3 dias à Big Apple. 
Pra quem conhece o figura, sabe que a monotonia passou longe durante o dito fim de semana.

termino a edição, citando um dos meus "roqueiros" favoritos, o mestre brasuca Lenine:


"A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento"



all the best,

Dan






terça-feira, 9 de março de 2010

Macca !




3 de Abril de 2010 vai ser o dia.
por enquanto ainda estou nas nuvens com a notícia.
acho que ficarei assim até o dia chegar.
ou até mesmo depois, por um tempo.
darei maiores detalhes, assim que pousar novamente.


all the best,
Dan

segunda-feira, 1 de março de 2010

Third Round !





"...abre a folha do livro que eu lhe dou para guardar e desata o nó dos 5 sentidos para se soltar".
Beto Guedes cantou hoje aqui no meu quarto e me fez perceber/lembrar o quanto esse som das montanhas me faz arrepiar. Sensação comparável àquela causada pela abertura de Peter Gabriel cantando "can you tell me where my country lies...", porém, fazendo muito mais sentido para as minhas raízes culturais e linguísticas.
Interessante é me dar conta disso de forma tão inflamada, apenas estando tão distante das tais montanhas. Mas acho que é assim que são as coisas.
E Beto não para por aí, mandando um cruzado de direita na próxima faixa e dizendo que "... o medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier, livre para sempre estar onde o justo estiver".
Depois disso percebi que não conseguiria mudar o disco e decidi aproveitar para escrever.
Este álbum do Guedes veio pra mim junto com toda a minha coleção de CD's, que agora reside nos domínios de meu iTunes.


Neste último sábado eu tomei mais um golpe com a terceira despedida que eu e Cynthia fomos obrigados a fazer nos últimos 6 meses. Nada realmente poderia nos preparar para o que é viver esta experiência de distância. A cada goodbye, novas marcas e cicatrizes. Sim, pois romance perfeito em New York só nos filmes melados do Richard Gere. Cada despedida traz no pacote uma infinidade de expectativas, dúvidas, perguntas e acertos de conta.
Mas enquanto me levanto do tatame, me dou conta de que a despedida traz também muitas respostas e sei agora, mais do que nunca, que elas apontam para um caminho iluminado !
By the way, não me importo com cicatrizes... acredito que elas tenham a função de nos lembrar de algo que mereça ser lembrado. Meu joelho esquerdo, por exemplo, me faz lembrar que não é uma boa idéia brincar com facão achando que é o Indiana Jones.
Além disso, eu tenho 5 cicatrizes voluntárias em meu corpo. Cada uma me diz coisas específicas, de determinadas fases de minha vida.  Fico pensando se ainda farei outras...
Uau ! de repente me deu uma vontade  !!!


Hoje acordei decidido a começar um novo round, com a barra de stamina completa. 
Bem disposto e bem vestido, saí pra aula escutando My Morning Jacket. Dentro do metrô fui dissecando cada aspecto de engenharia da gravação daquele disco, sendo interrompido apenas pelo trio mexicano que entrou em meu vagão, esguelando Guantanamera.
Gostei de ter sido capaz de dar risada daquilo, tendo em mente o louco caldeirão de culturas no qual me meti. Digo isso pois já tive dias de intolerância com esta confusão de etnias, principalmente por desconfiar que grande parte da sujeira da cidade é causada pelos imigrantes que entopem os metrôs com péssimo inglês e falta de amor pelo lugar que escolheram para morar. Ao contrário de meus familiares adotivos, os DeSousa, que seguiram um caminho bem diferente aqui: abraçaram o modo de vida americano, trabalharam, criaram muito bem seus filhos que são americanos com orgulho das raízes brasucas. Brasileiros que optaram por construir uma vida nos EUA, mas que respeitam muito o país que os abrigou.


Anyway, o clima hoje estava ótimo, com céu azul e um certo sol. Emergi da estação da 8th Street à caminho da escola, respirando fundo o ar mais ameno do dia. Como todos os dias, passei por dezenas de estudantes que circulam pelo Village, entre a NYU, escolas de música e de cinema. Tomei emprestada a baforada jamaicana deixada no ar por uma dupla mais relaxada, que provavelmente dava um tempo entre uma aula e outra. De alguma forma misteriosa, ninguém se esconde pra consumir a erva aqui em NY. É algo que acontece naturalmente, pelo menos na região artística. Policiamento não falta, mas os cops não se ocupam com isso. Talvez nem devessem mesmo. A NYPD tem coisas mais importantes pra fazer, como me escurraçar por eu ter entrado na cabine errada do pedágio. Uma oficial afro-american em posição de guerra me tratando como um fucking chicano ilegal enquanto eu tentava chegar num longínquo e redundante shopping de outlets. Acha que eu ligo ? I don't give a shit.


Voltando à minha vida de student, cheguei ao IAR sendo chamado de rockstar, o que me deixou ainda mais inflado.
Acho que deve ter sido os sunglasses que finalmente adquiri, depois de passar meses sofrendo com minha nacionalmente ( no Brasil ) conhecida fotofobia.
Finalmente, aulas geniais de sound design, microfonação e posicionamento de amplificadores. Nem mesmo meus barulhentos novos colegas ( futuros fritadores de french fries no McDonalds ) puderam me tirar a atenção deste assunto. 
A volta pra casa foi na companhia dos Black Crowes. Nada melhor para fechar o dia de estudos do que um bom rock'n'roll na orelha.


A levantada para o terceiro round já começou.
Ela acontece apoiada em diversos fatores, incluindo a óbvia ocupação de minha mente com os novos estudos; a certeza de que o sacrifício da distância e isolamento trarão recompensas; a intimidade à prova de distância/tempo de um casamento que contraria esteriótipos; a presença virtual dos bons amigos e da boa família; a presença física deles, como a vinda de Seu Dilvo e Dona Dayse em Abril; e porque não... a presença de um novo PS3 pra agitar as horas vagas !


Beto Guedes me ajuda a fechar mais uma edição deste blog com um pensamento que pra mim faz todo o sentido do mundo: "... a lição sabemos de cor..só nos resta aprender. "


All the best,
Dan





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

to beat, or not to beat ?



Steve, meu professor de MAS ( microphones, amps & speakers ), entrou na sala ontem e escreveu no quadro o tópico daquela aula: Drum Mic Techniques.
Literalmente fiquei como uma criança ao ler aquilo.
Aprender a gravar bateria é provavelmente um dos meu maiores objetivos como engenheiro.
O assunto sempre foi um mistério pra mim e talvez por isso acabei desenvolvendo uma maneira mais segura de realizar isso, através da programação eletrônica, porém humanizada do instrumento.
O tema é realmente rico em detalhes e Steve usou suas 3 horas de aula para revelar todos os segredos.
A suposta complexidade se deve muito ao fato de que a bateria não é 1 instrumento, mas sim uma combinação de vários: bumbo, caixa, ton-tons e pratos. Seus diferentes timbres e níveis de pressão sonora pedem tipos distintos de microfones e formas específicas de se posicionar cada um.
É bem verdade que a batera dos discos clássicos do rock foi tratada de uma maneira mais geral e panorâmica, como se fosse um único instrumento, e captada principalmente com microfones suspensos ( overheads ). E é esta uma das razões daquele som quente e vivo. Escute Led Zeppelin com os olhos fechados e você facilmente imaginará a sala onde John Bonham estava tocando.
À medida que as técnicas de microfonação foram se desenvolvendo, foi possível ter mais controle de cada peça da bateria. A gravação multi-pista permitiu também que o sinal captado por cada microfone fosse ajustado posteriormente, buscando uma mistura bem equilibrada entre todos.
A aula de ontem contou também com bastidores das gravações de bateria dos Beatles, lembrando que estes começaram quando se gravava ainda em 2 canais apenas.
Foram verdadeiros milagres, os que aqueles engenheiros de guarda-pós brancos da EMI operavam no início dos anos 60.
A música se deselvolvia para novos caminhos e aqueles cientistas tinham que fazer suas máquinas reproduzirem tais demandas. Da mesma forma, as inovações tecnológicas permitiam que a música se aventurasse em terras nunca antes visitadas. John Lennon era o mais desbravador entre os quatro cabeludos, sempre sugerindo formas não-ortodoxas de se gravar. Acredito que os engenheiros o amavam por isso.
Este casamento da música com a tecnologia será eterno. Ainda hoje os equipamentos mudam a forma de se criar, tocar, gravar e até mesmo consumir música.
Sigo em frente com mais uma técnica nas mãos e na cabeça, mal podendo esperar para colocá-la em prática.
Na foto acima, minha ex-bateria, hoje nas mãos do Sr. Jota.
Cuide bem dela, maluco.
Um dia ainda vou gravar você tocando nela.

All the best,
Dan

domingo, 7 de fevereiro de 2010


Dia 7 de fevereiro de 2010.
1:39am de um domingo marcando -7ºC ( 20ºF ).
Acabo de assistir a um filme chamado Shawshank Redemption.
As opções aqui da videoteca estão quase se esgotando ( aliás, pedi ao Seu Dilvo que mande alguns filmes ! ) e então escolhi este cujo título eu não havia reconhecido.
Ao dar o play me dei conta do porquê: conheço o tal filme pelo nome de Um sonho de Liberdade.
Antes de mais nada, devo admitir que esta é uma ótima tradução de título.
Pra quem não viu, vale a pena apreciar esta obra e as atuações memoráveis de Morgan Freeman  e Tim Robbins.
Hoje não vou me meter a crítico de cinema, mas apenas ressaltar as idéias principais do filme: sonho, esperança e liberdade.
Conceitos que, de tão falados, muitas vezes são banalizados e até mesmo subestimados.
Mas a verdade (?) é que são provavelmente as coisas que nos tornam mais humanos.

E é exatamente buscando esta humanidade que termino esta primeira semana de fevereiro... uma semana que chegou pesada e nervosa, carregada pela excitação do terceiro módulo do curso e das expectativas que só tendem a crescer ao longo dos próximos 5 meses.
Quando se tem 10 meses pela frente em uma terra desconhecida, só se pensa nos mistérios que podem ser encontrados e vividos. Mas quando metade deste tempo já se passou superando expectativas, a metade restante é encarada com um misto de sede por mais descobertas, saudade de casa e vontade de segurar o tempo. É o templo desmoronando e o Indiana Jones querendo se agarrar ao santo graal.
Resultado: agitação total.
A agitação não era só minha, mas de quase todos os meus 19 colegas de sala. Juntos, ficamos indignados com a "invasão" de 12 sobreviventes de uma outra turma, evidentemente mais fraca. A escola os havia transferido sem nos comunicar e o choque de culturas e comportamentos foi óbvio, sem falar no incômodo causado pela lotação da sala.
Foi óbvio também para os professores e estes, para nossa satisfação, souberam se posicionar no sentido de impor limites aos agitadores. Destaque para o Big Jim ( aquele que gravava os discos do Kool and the Gang ! ), que percebeu nosso desconforto e explicou aos forasteiros como é que banda toca. Jim foi um verdadeiro educador e também protegeu uma turma cujo potencial ele já havia identificado e valorizado.

Me lembro do que senti em minha primeira semana de aula aqui, ao me deparar com uma maioria de colegas na faixa dos 20 anos de idade. Me incomodei com a imaturidade. Mas tive que aprender a conviver com esta e muitas outras diferenças, e durante os dois primeiros módulos fui testemunha de grandes sinais de amadurecimento entre meus colegas. Além disso a seleção natural vem acontecendo, excluindo aqueles que, como dizemos por aqui, não tem os hanging chops.
Ainda não é fácil compartilhar uma rotina diária com uma turma que é quase 2 gerações mais nova que a minha, mas agora tenho certeza de que meu envolvimento com eles faz parte do meu pacote de aprendizado.
No day off que tivemos nesta última terça eu trouxe minha panela preferida pra casa, e aqui passamos a noite com música, cerveja e carteado. Sem dúvida, uma noite da qual não vou me esquecer!

Minha desbaratinada momentânea já está sob controle e várias coisas foram responsáveis por isso ao longo da semana.
Em especial, agradeço a um anjo que veio para me fazer lembrar de algumas palavras que devem estar sempre juntas: força interior, energia Divina, luz, paz e objetivos !
Tendo isto em mente, venho mergulhando em meus livros e em minha estação de trabalho ( foto acima ), buscando conhecer a cada dia mais este universo que escolhi explorar : o som !

see you later
all the best
Daniel

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Rebel with (out) a cause...




Como eu já mencionei antes, a videoteca disponível aqui no meu apartamento em NY é curiosamente semelhante àquela que o Seu Dilvo vem colecionando há décadas, lá na casa da rua Bernardino. 
Desde menino, tive acesso a esta cultura cinematográfica, mesmo que tenha sido por ouvir os nomes dos filmes e de seus atores e diretores.
Vi muitos deles e ouvi falar de vários outros. Alguns eram proibidos devido à minha tenra idade e só vim a assisti-los algum tempo depois, ainda curioso pelo motivo da proibição.
Outros passaram despercebidos ( ou evitados ? ) por mim e agora estou tendo a chance de me confrontar com vários deles. Foram dois nesta semana: The Godfather e Rebel Without a Cause.
O primeiro chegou ao Brasil renomeado como "O Poderoso Chefão".
Particularmente, detesto os títulos "traduzidos"para o português. Dependendo da voz que anuncia este filme, você facilmente pode achar que se trata de uma comédia pastelão...que aliás, rima com...Chefão !
Pode enganar muita gente. Não fui um deles. Desde menino eu ouvi que "- esse filme é muito violento!".
Eu sabia que era material pra Corujão ( oh, Lord ! ),  e não pra Sessão da Tarde.
Pois bem. Peguei os dois primeiros volumes da trilogia aqui na videoteca e mandei brasa.
Sim, são violentos. Provavelmente mais chocantes na época em que foram lançados. Comparados à explícita "realidade" presente nos filmes de ação de hoje em dia, Godfather fica light. Mas a densidade do filme não fica refém do apelo visual das cenas de assassinatos e, mesmo em 2010, o impacto fica por conta da abordagem do perfil de cada personagem e das profundas e complexas relações familiares. Poder, riqueza, família, amor : conceitos clássicos e eternos, mostrados através de um conto de máfia siciliana.
Atuações brilhantes e direção primorosa. Valeu a espera de sei lá quantos anos.

O segundo filme da semana passou no Brasil como "Juventude Transviada"
- O que é isso, Dan? - perguntou a Cynthia.
- Sei direito não... - respondi e completei: - só sei que meu avô chamou meu pai disso quando o proibiu de escutar o disco do Elvis dentro de casa.
Expressãozinha mais tacanha essa, não ?
"Rebeldes sem causa" teria sido muito mais honesto com os jovens brasileiros da época.
Pelo menos teriam tido a chance de questionar se havia ou não uma causa para a rebeldia.
Enfim... o filme foi estrelado pelo símbolo da rebeldia dos anos 50: James Dean. Aparentemente, os personagens de seus 3 maiores filmes se confundiam com sua própria vida: conflitos de identidade, problemas de comunicação e relacionamentos conturbados.
Não muito fácil de se assistir, "Rebel" tem sérios problemas de edição e continuidade, além de uma direção obscura. Se a intenção era me deixar aflito, o tal Nicholas Ray conseguiu.
Mas a história é rica de situações tensas, todas elas causadas pelos laços familiares, que na verdade são mais nós do que laços.
Imagino que os anos 50 tenham sido o começo de uma grande ameaça para o poder estabelecido até então, fosse ele dentro das famílias ou nos gabinetes do governo.
Toda uma transformação estava sendo fervida para finalmente entrar em ebulição nos anos 60, quebrando regras de comportamento e de cultura.
O mundo deveria ter aprendido com uma explosão daquelas, mas na verdade, todos os dias alguém de 50 anos se esquece que já teve 20; e alguém de 20 explode algo não querendo chegar aos 50.
Nos anos 80 a banda Ultraje a Rigor pegou emprestado o título deste filme para cantar : "meus dois pais me tratam muito bem... meus dois pais me dão muito carinho... como é que eu vou crescer sem ter com quem me rebelar ? ".
Até onde vai o amor dentro de uma família? Quando é que o controle entra em jogo em nome da manutenção de uma cultura e uma tradição? Talvez não tenhamos capangas ou metralhadoras...mas muitas vezes cometemos violências morais e psicológicas contra familiares, amigos ou colegas.

Acho que filmes podem e devem nos fazer pensar.
Sejam eles do Corujão ou da Sessão da Tarde.

all the best,
Dan

family...




New York, 26 de Janeiro de 2010.
4 Graus.
O inverno deu uma pequena folga, desde a semana passada.
Me parece que está preparando para nevar novamente.
Esta é a última semana do Second Quarter do curso, o que significa provas e trabalhos diários.
Me preparo para entrar no terceiro bloco do programa, já tendo nas mãos novas habilidades como a operação de Pro Tools e na cabeça os engenhos dos meios analógico e digital para gravação e manipulação de áudio.
A cada dia de aula uma nova janela se abre em minha cabeça musical, conhecendo não apenas novas técnicas mas principalmente novas formas de se atuar na indústria da música e do áudio de maneira geral.
Aliás a questão da indústria é nova pra mim, mas depois de quase 5 meses nos EUA, tenho a certeza de que ela existe por aqui de forma profissional e estruturada há muito tempo !
Independente do que possa acontecer, de uma coisa estou certo: não quero ser um marginal novamente!

Abaixo, uma foto de minha big sister Thais, que me deu o presente de sua presença em minha residência novaiorquina durante uma semana.
Ao longo de 7 dias com ótima temperatura ( média de 4 graus ), apresentei a ela os meus pontos favoritos da cidade e vivemos ótimos momentos de família, como há muito não acontecia!
Thank you, sister !

all the best,
Dan


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

a brand new page !




8 de Janeiro de 2010.
Um novo ano pela frente.
Uma nova página. Em branco. Pronta para que eu escreva nela tudo aquilo que eu quiser.
Algumas vezes não se pode escrever tudo o que se quer, então acabamos por escrever o que dá.
Mas não importa. Sempre teremos novas páginas em branco pela frente. E com elas, novas chances para novas escritas.
O importante é ter a certeza de não deixar páginas em branco para trás.
E essa certeza eu tenho. E isso é um tesouro. Não de uma forma puramente saudosista, mas sim com um sentimento de riqueza de experiências.


A piadinha é velha, mas lá vai : não escrevo no blog desde o ano passado!
E entro nesta nova página em branco, me lembrando das muitas páginas belamente preenchidas com meus dias de férias aqui em New York, passados ao lado da Cynthia.


Sim, os lugares e eventos frequentados foram sensacionais e nos impressionam pelos fatores novidade e diversidade: parques, feiras livres, pequenas cantinas, concertos & ballets, shows da Broadway, lojas e produtos bacanas, museus e exposições. 
Mas estes lugares e eventos nada seriam sem o que espírito esteja elevado para curtí-los. Ou sem a presença de alguém que amamos para que se compartilhe o êxtase de cada vivência.
Como disse Alexander Supertramp, "a felicidade só existe quando é partilhada". Assistam ao filme Na Natureza Selvagem ( Into the Wild ).


E nada foi melhor partilhado nestas férias como o New Year's Eve. 
Logo eu, que sempre afirmei que o reveillon não tinha muita importância.
E foi exatamente quando eu decidi me entregar à curtição deste momento, de forma relaxada e espontânea, que ele aconteceu naturalmente pra mim e pra Cynthia.
Só sabíamos que não iríamos para a Times Square: multidão não era mesmo nossa idéia para aquela noite.
Partimos para o Village, na esperança de que os diversos bares da região pudessem nos abrigar.
O frio estava bravo e quase não havia gente nas ruas.
Foi quando tivemos a idéia de ir para o Central Park e assim, pegamos o primeiro subway para a 5a avenida com 59 street. Chegamos ao parque a 1 minuto da virada e presenciamos cenas inacreditáveis: uma leve neve caindo, sendo contrastada por luzes e reflexos de fogos vindo de vários pontos do parque; casais, grupos de amigos e famílias estourando espumantes e se abraçando; um som de festa ao longe.
Seguindo o caminho da música, achamos uma verdadeira rave acontecendo na concha acústica do Central Park. 
Foi lá que passamos o resto da noite, dançando e bebendo nossas garrafas de coca-cola, até que a NYPD fizesse o toque de recolhida.
Depois de abraçar alguns policiais desejando um Happy 2010, partimos felizes de volta ao Queens.


É neste espírito de novidade que volto às aulas. Com a saudade redobrada, mas também com as forças multiplicadas para continuar nesta missão de aprendizado e crescimento pessoal e profissional.
Como cantaram os impressionantes atores/cantores do espetáculo HAIR que fomos assistir na última quarta-feira, eu repito:  "Let the Sunshine in".


Peace. Love.
All the best,


Dan