
01/10: depois de 2 semanas com brutas variações climáticas, parece que agora o outono chegou pra valer em New York. A temperatura de ontem chegou a 9 graus e eu saí da escola tremendo, sob as risadas dos colegas "- você não sabe o que te espera em dezembro e janeiro ! ", so they said.
Já com um sweater um pouco mais grosso dentro da mochila, hoje preparo também meus instrumentos para uma audição de estúdio marcada para amanhã. Passados os choques de adaptação, já consigo respirar melhor os ares musicais da Big Apple e, consequentemente, aspirar ainda mais música para a minha vida. Na semana passada tive a a oportunidade de conhecer um lugar chamado Joe's Pub: uma fantástica casa noturna, com ares de jazz club, excelente tratamento acústico e projeto de som impecável. O chamado Pub é parte integrante do Public Theater de New York que é um ponto cultural histórico e se ocupa em apresentar uma intensa programação musical diária, com 3 shows por dia. No Joe's você pode ter o prazer de conhecer novos e emergentes artistas; e também pode ter o privilégio de assistir uma performance intimista de Elvis Costelo, Bono Amy Winehouse ou Lenine. Por mais irônico que possa parecer, o show que assisti na última quinta-feira foi de um brasileiro chamado Kiko Klaus: natural do Pernambuco e residente em BH, Kiko faz um som baseado na tradição sambista e bossanovista, porém com roupagens e texturas bastante contemporâneas. Na banda, velhos conhecidos da noite de BH como André Limão e Felipe Fantoni. Como participação especial, Raquel Coutinho com sua voz e tambor poderosos ! Chris e Jake, meus colegas de sala, me acompanharam nesta noite musical e se impressionaram com a sonoridade brasuca de Klaus.
Tenho um vizinho de porta, que aluga o studio #2 do basement da família Grega. Eu só tinha visto Sam na minha primeira manhã neste endereço, quando me apresentei e ouvi uma reclamação sobre o barulho do meu ventilador ( ainda fazia calor naqueles dias ! ). Trombei com o "tio"de novo esta semana e desta vez fui convidado pra um café em seu studio, que é do tamanho do meu porém sem janelas. Aceitei o chamado e passei alguns minutos ouvindo a triste história de Uncle Sam, que é palestino de Israel, morou 25 anos em Manhatan fazendo um bom dinheiro como florista mas perdeu tudo após um divórcio e agora se vê desempregado. Completamente frustrado e visivelmente abatido, meu curioso vizinho confessa que chega a pensar até em assaltar um banco ou "coisa parecida" diante de seu desespero. Foi exatamente nesta parte que me "lembrei" que eu tinha que fazer uma ligação e pedi licença, very politely.
Voltei para meu pequeno studio com janelas e tomei uma bela ducha quente ( uma das melhores características do imóvel ! ) para aliviar a dor nas costas que vinha me acompanhando há dias. Apesar da boa ducha, continuo procurando uma nova morada, na qual eu possa me sentir melhor durante o rigoroso inverno que vem se aproximando sem misericórdia.






