terça-feira, 29 de setembro de 2009

Joe's Pub, (uncle) Sam and other stories...



01/10: depois de 2 semanas com brutas variações climáticas, parece que agora o outono chegou pra valer em New York. A temperatura de ontem chegou a 9 graus e eu saí da escola tremendo, sob as risadas dos colegas "- você não sabe o que te espera em dezembro e janeiro ! ", so they said.
Já com um sweater um pouco mais grosso dentro da mochila, hoje preparo também meus instrumentos para uma audição de estúdio marcada para amanhã. Passados os choques de adaptação, já consigo respirar melhor os ares musicais da Big Apple e, consequentemente, aspirar ainda mais música para a minha vida. Na semana passada tive a a oportunidade de conhecer um lugar chamado Joe's Pub: uma fantástica casa noturna, com ares de jazz club, excelente tratamento acústico e projeto de som impecável. O chamado Pub é parte integrante do Public Theater de New York que é um ponto cultural histórico e se ocupa em apresentar uma intensa programação musical diária, com 3 shows por dia. No Joe's você pode ter o prazer de conhecer novos e emergentes artistas; e também pode ter o privilégio de assistir uma performance intimista de Elvis Costelo, Bono Amy Winehouse ou Lenine. Por mais irônico que possa parecer, o show que assisti na última quinta-feira foi de um brasileiro chamado Kiko Klaus: natural do Pernambuco e residente em BH, Kiko faz um som baseado na tradição sambista e bossanovista, porém com roupagens e texturas bastante contemporâneas. Na banda, velhos conhecidos da noite de BH como André Limão e Felipe Fantoni. Como participação especial, Raquel Coutinho com sua voz e tambor poderosos ! Chris e Jake, meus colegas de sala, me acompanharam nesta noite musical e se impressionaram com a sonoridade brasuca de Klaus.
Tenho um vizinho de porta, que aluga o studio #2 do basement da família Grega. Eu só tinha visto Sam na minha primeira manhã neste endereço, quando me apresentei e ouvi uma reclamação sobre o barulho do meu ventilador ( ainda fazia calor naqueles dias ! ). Trombei com o "tio"de novo esta semana e desta vez fui convidado pra um café em seu studio, que é do tamanho do meu porém sem janelas. Aceitei o chamado e passei alguns minutos ouvindo a triste história de Uncle Sam, que é palestino de Israel, morou 25 anos em Manhatan fazendo um bom dinheiro como florista mas perdeu tudo após um divórcio e agora se vê desempregado. Completamente frustrado e visivelmente abatido, meu curioso vizinho confessa que chega a pensar até em assaltar um banco ou "coisa parecida" diante de seu desespero. Foi exatamente nesta parte que me "lembrei" que eu tinha que fazer uma ligação e pedi licença, very politely.
Voltei para meu pequeno studio com janelas e tomei uma bela ducha quente ( uma das melhores características do imóvel ! ) para aliviar a dor nas costas que vinha me acompanhando há dias. Apesar da boa ducha, continuo procurando uma nova morada, na qual eu possa me sentir melhor durante o rigoroso inverno que vem se aproximando sem misericórdia.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Hook and the lost boys...

22/09: depois de uma pesada prova de Audio Electronics e mais um laboratório de Pro Tools, saí da IAR hoje acompanhado dos colegas com quem tenho mantido mais contato. Jake, Jack e Chris são, como a grande maioria dos alunos da escola, jovens na faixa dos 19 anos. Todos eles já têm alguma relação principiante com a música, seja tocando guitarra ou fazendo experiências caseiras de gravação de áudio. Sendo assim, eles já começam a perceber que eu já venho percorrendo um caminho um "pouco" mais longo. But anyway, carregando minha recém-adquirida Guild, caminhei com os caras até a Union Square, que é onde pego o trem N para o Queens, e é também onde metade da comunidade estudantil do Village se encosta depois das aulas. A praça/parque é um verdadeiro circo ! E hoje o picadeiro estava mais diverso do que nunca: ilusionistas, malabaristas, cantores de ópera e comediantes competiam pela atenção e pelos trocados dos passantes. O impressionate é a alta qualidade das apresentações, cujos protagonistas poderiam muito bem estar nos melhores palcos do mundo. E o público presente reconhece isso e realmente contribui com valores variados, que vão de quarters a notas de 5 dólares. Começo a pensar em abrir o case do meu violão para depósitos ! E pensando nisso, achei um canto vago na praça, tirei o tal Guild do case e comecei a tocar algumas canções, ainda na companhia do trio J,J&C. Hoje ainda não ouvi o tilintar de quarters dentro do estojo, mas atraí a atenção de algumas figuras, com destaque para um ex-US Marine maltrapilho. O cara tinha um braço-de-pau todo tatuado e com um gancho ( !!! ) no lugar da mão. Chegou perto pedindo que eu tocasse algo do Johnny Cash mas teve que se contentar com "you've got to hide your love away", dos Beatles. Um personagem que deve ter mil histórias pra contar e mil experiências para dividir, mas seu braço e sua alma mutilada pela ignorância militar americana o tornou um fantasma cheio de mágoas e preconceitos. Foi fácil perceber estas cicatrizes quando ele começou a destilar ( e havia muito destilado ali dentro daquela cabeça ! ) suas opiniões. Este encontro meu deixou um pouco chateado mas não tanto quanto a notícia que Chris me deu sobre uma colega de nossa turma, que está viciada em heroína. Algo me diz que ainda vou me deparar com muitos casos destes garotos envolvidos com loucuras variadas... e que em algum ponto terei um papel mais presente nesta história.

domingo, 20 de setembro de 2009

Long Nights...




Long Nights ( Eddie Vedder )


Have no fear
For when I'm alone
I'll be better off than I was before

I've got this light
I'll be around to grow
Who I was before
I cannot recall

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground

I'll take this soul that's inside me now
Like a brand new friend
I'll forever know

I've got this light
And the will to show
I will always be better than before

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Imagine...


16/09: day-off.
a escola IAR deu folga pra minha turma hoje, devido às provas e à aula especial do próximo sábado. Aproveitei o dia para visitar o museu Rock'n'Roll Hall of Fame, que fica no SoHo.
O museu é super bem estruturado e promove uma intensa interatividade com o visitante que, ao entrar, recebe headphones ligados a um receptor que ativa a trilha sonora do passeio de acordo com a sua localização. Fiz uma verdadeira viagem pela história do rock, desde os primórdios até hoje em dia: John lee Hooker, Muddy Waters, Chuck Berry, Elvis Presley, The Beatles, The Who, Led Zeppelin, Queen, U2...pra citar apenas alguns dos ícones cujas histórias e objetos estão expostos lá.
Eu já sabia da existência do Hall of Fame, mas uma exposição específica me atraiu pra lá: John Lennon - The New York City Years. Yoko Ono preparou esta exibição especial com pertences, manuscritos e vídeos de John, relativos ao tempo em que ele viveu em NYC, ou seja, de 71 até a sua morte. A mostra conta com objetos nunca antes vistos pelo grande público, como a Gibson Les Paul Junior com a qual John tocou no Madison Square Garden, a jaqueta militar que o vestiu diversas vezes, o chapéu preto com um pena, usado em suas caminhadas pelo Central Park e vários originais de letras de músicas como "Woman", "Just like Starting Over"e "Watching the wheels". Vídeos inéditos de entrevistas de Lennon são exibidos ao longo da galeria, alternados pelas intervenções de suas músicas. Estampados nas paredes, estão trechos de declarações de Lennon sobre a cidade de NY, nas quais ele expressou seu amor pela cidade. A emoção é incontrolável. Nunca me senti tão perto do cara. O desfecho é um golpe duplo: 1) foto feita por Yoko, mostrando New York através dos óculos de John ainda sujos de sangue. 2) um pacote embrulhado com papel pardo, entregue à Sra. Lennon pelo hospital St. Luke's-Roosevelt, contendo as roupas que John usava quando foi morto. Depois disso, Yoko pede a assinatura dos visitantes para uma petição comandada por ela, clamando por leis mais severas sobre o porte de armas nos Estados Unidos. Talvez NY seja o mais próximo de Imagine que John tenha chegado: a mistura de raças e culturas é tão intensa que se tem a impressão da ausência de fronteiras.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

step by step...( uh baby ! )


11/09: chega ao fim minha segunda semana de curso e a primeira na nova casa. A adaptação não vem sendo muito fácil, então faço meu melhor para tornar a HOUSE o mais próximo de HOME que eu puder. Tento também, por incrível que possa parecer, estruturar uma rotina. Criei um horário para acordar, sair pra correr no Astoria Park, have my breakfast, estudar um pouco e depois pegar o subway para o Village, onde fica a escola. O período de aulas se torna a melhor parte do dia, quando não vejo o tempo passar por estar envolvido com o conteúdo apresentado pelos professores. Saio da IAR às 6pm e pego o trem na estação da Union Square... em 30 minutos estou em casa.
Hoje fez frio e choveu fino durante todo o dia. Meu susto foi ver os nativos usando camisetas sem manga e achando o clima gostoso. Acho que realmente não tenho noção da temperatura que me espera em janeiro.
Hoje, depois de 4 noites dormindo num colchonete, é minha estreia na cama novinha em folha comprada pela minha landlady Grega ( a Helena ), para meu uso. À caminho do topo em NYC, já subi 50cm !
A cortesia vinda do Olimpo não parou aí...o filho Izzy liberou sua senha para que eu use o wi-fi super rápido da casa, o que facilita bastante minha comunicação e a atualização deste blog.
Fecho a tampa de hoje ao som de Counting Crows, comendo uma lasanha de microwave e tomando uma Corona; afinal, eu mereço.
take care...



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

the king of Queens...




9/9/9: esta quarta feira amanheceu já um pouco mais cinza, dando sinais do fim oficial do verão novaiorquino. O ar ligeiramente mais frio entrou pelas duas pequenas janelas do studio que aluguei em Queens, onde estou morando há 2 noites. O pequeno quarto conta com banheiro e uma stand-up kitchen com bancada e frigobar, e fica no basement de um sobrado habitado por uma família Grega: Dimitri, Helena ( tipo a de Tróia ) e o filho Izzy. A mudança foi difícil, mas fielmente amparada pelos DeSousa. Helena ( DeSousa ) me emprestou colchão, prato, talheres, panela, microondas e tudo mais. Marcos fez o transporte em sua Suburban e se mantém presente pelo telefone e em eventuais encontros pelas esquinas de Manhatan.
Meu plano é visitá-los em Nanuet, nos finais de semana.
Por falar em weekend, neste último NYC foi palco do anual Brazilian Day. A festa atrai mais de 1 milhão de imigrantes tupiniquins, que lotam a 6a Avenida em busca de música, comida e vibração brasucas. Parece mesmo uma festa brasileira, mas sem cerveja...

Terceira semana...terceiro desafio: me adaptar à condição de morar sozinho.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

some things after August...



Ainda habitando as terras verdes de Rockland, finalmente consegui tempo e cabeça para continuar depositando palavras neste diário de bordo. E assim o faço, com a tv ligada num canal ( de número 186 !!!! ) que exibe apenas videos dos 4 cabeludos de Liverpool. No ar, Paul live in St. Petersburg.
Depois da minha última postagem, muita água correu por baixo da Brooklin Bridge.
Terminei minha primeira semana num sports bar chamado Buffalo Wild Wings, na companhia de Marcos, seu filho Phil e sua turma de teens. A "noitada" de meu primeiro sábado aqui foi à base de várias rodadas de chicken wings, refills infindáveis de sprite para os menores e algumas Heineken para este que vos escreve. E as incontáveis telas de LCD espalhadas pelo bar exibiam lutas do campeonato UFC ( Ultimate Fight Championship ), várias delas protagonizadas e vencidas por lutadores brasileiros. Sob os olhos assustados/irritados dos locais, puxamos em duo um "Ole, Ole, Ole, Ola !
A segunda semana veio com minha estréia na escola e se desenrolou com muitas surpresas, algumas delas assustadoras como as disciplinas de Física e Matemática de Engenharia Elétrica e Eletrônica.
Semana de adaptação total: aos different accents dos professores, às matérias inéditas em minhas vida e aos novos colegas americanos ( e a outra estrangeira além de mim, vinda da Índia ).
Semana corrida, saindo de Nanuet bem cedo e voltando bem à noite. A foto acima mostra a estrada de Rockland County para NYC. Se olhar bem ao fundo, verá um pouco do perfil de Manhatan.
A busca por um home-sweet-home continua, nada fácil. Mas a cidade já começa a ficar de alguma forma familiar, seja na loucura das conexões do Subway ou nos vários oasis verdes espalhados pela Big Apple. As praças e parques representam um importante alívio para aqueles que aqui vivem, trabalham e estudam, uma vez que esta população realmente toma posse e utiliza estes bem cuidados espaços.

See you later !