quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
to beat, or not to beat ?
Steve, meu professor de MAS ( microphones, amps & speakers ), entrou na sala ontem e escreveu no quadro o tópico daquela aula: Drum Mic Techniques.
Literalmente fiquei como uma criança ao ler aquilo.
Aprender a gravar bateria é provavelmente um dos meu maiores objetivos como engenheiro.
O assunto sempre foi um mistério pra mim e talvez por isso acabei desenvolvendo uma maneira mais segura de realizar isso, através da programação eletrônica, porém humanizada do instrumento.
O tema é realmente rico em detalhes e Steve usou suas 3 horas de aula para revelar todos os segredos.
A suposta complexidade se deve muito ao fato de que a bateria não é 1 instrumento, mas sim uma combinação de vários: bumbo, caixa, ton-tons e pratos. Seus diferentes timbres e níveis de pressão sonora pedem tipos distintos de microfones e formas específicas de se posicionar cada um.
É bem verdade que a batera dos discos clássicos do rock foi tratada de uma maneira mais geral e panorâmica, como se fosse um único instrumento, e captada principalmente com microfones suspensos ( overheads ). E é esta uma das razões daquele som quente e vivo. Escute Led Zeppelin com os olhos fechados e você facilmente imaginará a sala onde John Bonham estava tocando.
À medida que as técnicas de microfonação foram se desenvolvendo, foi possível ter mais controle de cada peça da bateria. A gravação multi-pista permitiu também que o sinal captado por cada microfone fosse ajustado posteriormente, buscando uma mistura bem equilibrada entre todos.
A aula de ontem contou também com bastidores das gravações de bateria dos Beatles, lembrando que estes começaram quando se gravava ainda em 2 canais apenas.
Foram verdadeiros milagres, os que aqueles engenheiros de guarda-pós brancos da EMI operavam no início dos anos 60.
A música se deselvolvia para novos caminhos e aqueles cientistas tinham que fazer suas máquinas reproduzirem tais demandas. Da mesma forma, as inovações tecnológicas permitiam que a música se aventurasse em terras nunca antes visitadas. John Lennon era o mais desbravador entre os quatro cabeludos, sempre sugerindo formas não-ortodoxas de se gravar. Acredito que os engenheiros o amavam por isso.
Este casamento da música com a tecnologia será eterno. Ainda hoje os equipamentos mudam a forma de se criar, tocar, gravar e até mesmo consumir música.
Sigo em frente com mais uma técnica nas mãos e na cabeça, mal podendo esperar para colocá-la em prática.
Na foto acima, minha ex-bateria, hoje nas mãos do Sr. Jota.
Cuide bem dela, maluco.
Um dia ainda vou gravar você tocando nela.
All the best,
Dan
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Dia 7 de fevereiro de 2010.
1:39am de um domingo marcando -7ºC ( 20ºF ).
Acabo de assistir a um filme chamado Shawshank Redemption.
As opções aqui da videoteca estão quase se esgotando ( aliás, pedi ao Seu Dilvo que mande alguns filmes ! ) e então escolhi este cujo título eu não havia reconhecido.
Ao dar o play me dei conta do porquê: conheço o tal filme pelo nome de Um sonho de Liberdade.
Antes de mais nada, devo admitir que esta é uma ótima tradução de título.
Pra quem não viu, vale a pena apreciar esta obra e as atuações memoráveis de Morgan Freeman e Tim Robbins.
Hoje não vou me meter a crítico de cinema, mas apenas ressaltar as idéias principais do filme: sonho, esperança e liberdade.
Conceitos que, de tão falados, muitas vezes são banalizados e até mesmo subestimados.
Mas a verdade (?) é que são provavelmente as coisas que nos tornam mais humanos.
E é exatamente buscando esta humanidade que termino esta primeira semana de fevereiro... uma semana que chegou pesada e nervosa, carregada pela excitação do terceiro módulo do curso e das expectativas que só tendem a crescer ao longo dos próximos 5 meses.
Quando se tem 10 meses pela frente em uma terra desconhecida, só se pensa nos mistérios que podem ser encontrados e vividos. Mas quando metade deste tempo já se passou superando expectativas, a metade restante é encarada com um misto de sede por mais descobertas, saudade de casa e vontade de segurar o tempo. É o templo desmoronando e o Indiana Jones querendo se agarrar ao santo graal.
Resultado: agitação total.
A agitação não era só minha, mas de quase todos os meus 19 colegas de sala. Juntos, ficamos indignados com a "invasão" de 12 sobreviventes de uma outra turma, evidentemente mais fraca. A escola os havia transferido sem nos comunicar e o choque de culturas e comportamentos foi óbvio, sem falar no incômodo causado pela lotação da sala.
Foi óbvio também para os professores e estes, para nossa satisfação, souberam se posicionar no sentido de impor limites aos agitadores. Destaque para o Big Jim ( aquele que gravava os discos do Kool and the Gang ! ), que percebeu nosso desconforto e explicou aos forasteiros como é que banda toca. Jim foi um verdadeiro educador e também protegeu uma turma cujo potencial ele já havia identificado e valorizado.
Me lembro do que senti em minha primeira semana de aula aqui, ao me deparar com uma maioria de colegas na faixa dos 20 anos de idade. Me incomodei com a imaturidade. Mas tive que aprender a conviver com esta e muitas outras diferenças, e durante os dois primeiros módulos fui testemunha de grandes sinais de amadurecimento entre meus colegas. Além disso a seleção natural vem acontecendo, excluindo aqueles que, como dizemos por aqui, não tem os hanging chops.
Ainda não é fácil compartilhar uma rotina diária com uma turma que é quase 2 gerações mais nova que a minha, mas agora tenho certeza de que meu envolvimento com eles faz parte do meu pacote de aprendizado.
No day off que tivemos nesta última terça eu trouxe minha panela preferida pra casa, e aqui passamos a noite com música, cerveja e carteado. Sem dúvida, uma noite da qual não vou me esquecer!
Minha desbaratinada momentânea já está sob controle e várias coisas foram responsáveis por isso ao longo da semana.
Em especial, agradeço a um anjo que veio para me fazer lembrar de algumas palavras que devem estar sempre juntas: força interior, energia Divina, luz, paz e objetivos !
Tendo isto em mente, venho mergulhando em meus livros e em minha estação de trabalho ( foto acima ), buscando conhecer a cada dia mais este universo que escolhi explorar : o som !
see you later
all the best
Daniel
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