segunda-feira, 29 de março de 2010

Weird Fly



Na madrugada deste último sábado eu fechei a mixagem da minha mais nova música.
Foi a primeira experiência de co-produção com Iain Fraser, professor do IAR que me ensinou Audio Processing and Storage no segundo módulo do curso.
O trabalho rendeu uns 4 ou 5 sábados, nos quais eu me desloquei para Rutherford.
Fraser reside nesta pequena e pacata cidade de NJ e lá mantém um basement studio que não é grande mas é muito bem equipado.

Cheguei com trilhas previamente produzidas em casa, incluindo programação de bateria, synths e algumas linhas de guitarra.
Durante o trabalho com Iain, adicionamos diversos elementos e remontamos a estrutura da música.
Além de um cérebro comandado pelo Pro Tools TDM, o studio conta com uma série de "latarias" analógicas como prés e compressores valvulados, simuladores de tape compression e uma bela coleção de guitarras e violões.
Gravamos um lindo violão Taylor microfonado em stereo, que na mixagem trabalhou aberto, em LR, dando um vital corpo para a canção.
Minha adolescente telecaster falou bonito através do cabeçote Line 6 que empurrava um cabinet MESA.
Meu vocal foi captado por um condensador valvulado, tanto nas partes limpas quanto nas outras em que usei um legítimo megafone de polícia.
Minha pré-produção de bateria foi revitalizada ao passar pelo poderoso sampler BFD2, que simula até mesmo o posicionamento de microfones e o vazamento captado por eles.

Quem me conhece sabe que sou um criador solitário por opção.
Dividir idéias é uma coisa complicada e este foi sem dúvida um bom treinamento de trabalho em dupla/equipe.
Na verdade, toda a experiência do curso tem me exigido a prática do sharing.
Estar em salas de aula e laboratórios significa compartilhar espaço, tempo, atenção dos professores, idéias, opiniões, etc.

O plano é conseguir gravar pelo menos mais 2 músicas até o fim do curso.
Parece fácil, mas o tempo começa a me desafiar.
Esta semana vai ser um pouco mais tranquila devido à pausa de quinta a domingo para o holiday de Páscoa.
Mas só consigo pensar em uma coisa agora: sábado é dia de Paul McCartney em Miami !

aí vai o link para a música nova, que se chama "Weird".

Weird - by Daniel Lima


all the best!

Dan

domingo, 21 de março de 2010

having a blast !




é, eu sei.
tenho demorado pra escrever por aqui.
minha relação com o tempo tem sido uma loucura.
há dias em que o relógio ( que by the way agora eu uso ! ) praticamente pára.
geralmente isso acontece nos sábados à noite, quando não tenho nada pra fazer.
ou quando acabo recusando convites, por lazyness de pegar o trem pra Manhattan às 11pm.
isso acontece.
nos dias chatos, nem meus estudos e práticas de Pro Tools ajudam a passar o tempo.
nem as temporadas de House ( que by the way, estou viciado! ).
nem o God of War no PS3 ( que by the way, tenho que acabar de eliminar uma horda de Centauros ! ).
às vezes o relógio parece que anda pra trás também.
mas isso é mais quando mudam essas coisas de horário de verão ou de inverno.
ou então é efeito de água benta, que às vezes eu bebo.
por outro lado, tem semanas que parecem ter tido apenas um dia.
este dia mesmo, que acaba de se passar, pareceu ter um minuto.
no caso, eu estava em Rutherford-NJ, no estúdio de um ex-teacher chamado Iain Fraser, com quem estou trabalhando em músicas novas.
neste tipo de situação o tempo simplesmente "avua".
e é maravilhoso.

estou "comemorando" 7 meses de New York.
assustador.
outro dia mesmo, meu coração não cabia no peito.
ansiedade pela partida do Brasil, despedida da esposa, da família, dos amigos, do conforto.
excitação pela busca do sonho, pelo reencontro com a música, pelo desconhecido.
tenho mais 3 meses de curso pela frente.
meu coração não cabe no peito.
ansiedade pela volta ao Brasil, pelo reencontro com a esposa, com a família, com os amigos.
excitação pela conquista do sonho, pela vibração cada vez mais forte da música, pelo que foi conhecido !

Mal posso esperar para concluir esta missão e voltar às terras tupiniquins.
Descobri que gosto bastante do calor, mais do que imaginava.
os 4 meses de inverno aqui não foram fáceis.
se ao menos as pessoas fossem imunes às temperaturas, mas não são.
o inverno traz muita dureza, intolerância e baixo astral.
mas agora, o tempo mal começou a abrir por aqui e as pessoas já estão mais leves em todos os sentidos.
meus colegas já chegam pra aula de skateboards, vestindo bermudas e o hacky sack volta a ser o esporte favorito dos nossos intervalos.
na washington square as universitárias voltam a desfilar de biquinis ( enormes mas, what can I do ? ), se refrescando nas fontes.

sonho com meu retorno ao Brasil.
mas por outro lado sei que vou sentir a partida de NY.
para todos os efeitos, estabeleci uma existência aqui.
algo me diz que este não será o fim.
é apenas o início de uma nova relação com o mundo, com a noção de distância entre países e de amizades inter-nacionais.

falando em amizades, a foto de hoje mostra meu encontro com o velho companheiro Paulo Del Picchia, em sua visita de 3 dias à Big Apple. 
Pra quem conhece o figura, sabe que a monotonia passou longe durante o dito fim de semana.

termino a edição, citando um dos meus "roqueiros" favoritos, o mestre brasuca Lenine:


"A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento"



all the best,

Dan






terça-feira, 9 de março de 2010

Macca !




3 de Abril de 2010 vai ser o dia.
por enquanto ainda estou nas nuvens com a notícia.
acho que ficarei assim até o dia chegar.
ou até mesmo depois, por um tempo.
darei maiores detalhes, assim que pousar novamente.


all the best,
Dan

segunda-feira, 1 de março de 2010

Third Round !





"...abre a folha do livro que eu lhe dou para guardar e desata o nó dos 5 sentidos para se soltar".
Beto Guedes cantou hoje aqui no meu quarto e me fez perceber/lembrar o quanto esse som das montanhas me faz arrepiar. Sensação comparável àquela causada pela abertura de Peter Gabriel cantando "can you tell me where my country lies...", porém, fazendo muito mais sentido para as minhas raízes culturais e linguísticas.
Interessante é me dar conta disso de forma tão inflamada, apenas estando tão distante das tais montanhas. Mas acho que é assim que são as coisas.
E Beto não para por aí, mandando um cruzado de direita na próxima faixa e dizendo que "... o medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier, livre para sempre estar onde o justo estiver".
Depois disso percebi que não conseguiria mudar o disco e decidi aproveitar para escrever.
Este álbum do Guedes veio pra mim junto com toda a minha coleção de CD's, que agora reside nos domínios de meu iTunes.


Neste último sábado eu tomei mais um golpe com a terceira despedida que eu e Cynthia fomos obrigados a fazer nos últimos 6 meses. Nada realmente poderia nos preparar para o que é viver esta experiência de distância. A cada goodbye, novas marcas e cicatrizes. Sim, pois romance perfeito em New York só nos filmes melados do Richard Gere. Cada despedida traz no pacote uma infinidade de expectativas, dúvidas, perguntas e acertos de conta.
Mas enquanto me levanto do tatame, me dou conta de que a despedida traz também muitas respostas e sei agora, mais do que nunca, que elas apontam para um caminho iluminado !
By the way, não me importo com cicatrizes... acredito que elas tenham a função de nos lembrar de algo que mereça ser lembrado. Meu joelho esquerdo, por exemplo, me faz lembrar que não é uma boa idéia brincar com facão achando que é o Indiana Jones.
Além disso, eu tenho 5 cicatrizes voluntárias em meu corpo. Cada uma me diz coisas específicas, de determinadas fases de minha vida.  Fico pensando se ainda farei outras...
Uau ! de repente me deu uma vontade  !!!


Hoje acordei decidido a começar um novo round, com a barra de stamina completa. 
Bem disposto e bem vestido, saí pra aula escutando My Morning Jacket. Dentro do metrô fui dissecando cada aspecto de engenharia da gravação daquele disco, sendo interrompido apenas pelo trio mexicano que entrou em meu vagão, esguelando Guantanamera.
Gostei de ter sido capaz de dar risada daquilo, tendo em mente o louco caldeirão de culturas no qual me meti. Digo isso pois já tive dias de intolerância com esta confusão de etnias, principalmente por desconfiar que grande parte da sujeira da cidade é causada pelos imigrantes que entopem os metrôs com péssimo inglês e falta de amor pelo lugar que escolheram para morar. Ao contrário de meus familiares adotivos, os DeSousa, que seguiram um caminho bem diferente aqui: abraçaram o modo de vida americano, trabalharam, criaram muito bem seus filhos que são americanos com orgulho das raízes brasucas. Brasileiros que optaram por construir uma vida nos EUA, mas que respeitam muito o país que os abrigou.


Anyway, o clima hoje estava ótimo, com céu azul e um certo sol. Emergi da estação da 8th Street à caminho da escola, respirando fundo o ar mais ameno do dia. Como todos os dias, passei por dezenas de estudantes que circulam pelo Village, entre a NYU, escolas de música e de cinema. Tomei emprestada a baforada jamaicana deixada no ar por uma dupla mais relaxada, que provavelmente dava um tempo entre uma aula e outra. De alguma forma misteriosa, ninguém se esconde pra consumir a erva aqui em NY. É algo que acontece naturalmente, pelo menos na região artística. Policiamento não falta, mas os cops não se ocupam com isso. Talvez nem devessem mesmo. A NYPD tem coisas mais importantes pra fazer, como me escurraçar por eu ter entrado na cabine errada do pedágio. Uma oficial afro-american em posição de guerra me tratando como um fucking chicano ilegal enquanto eu tentava chegar num longínquo e redundante shopping de outlets. Acha que eu ligo ? I don't give a shit.


Voltando à minha vida de student, cheguei ao IAR sendo chamado de rockstar, o que me deixou ainda mais inflado.
Acho que deve ter sido os sunglasses que finalmente adquiri, depois de passar meses sofrendo com minha nacionalmente ( no Brasil ) conhecida fotofobia.
Finalmente, aulas geniais de sound design, microfonação e posicionamento de amplificadores. Nem mesmo meus barulhentos novos colegas ( futuros fritadores de french fries no McDonalds ) puderam me tirar a atenção deste assunto. 
A volta pra casa foi na companhia dos Black Crowes. Nada melhor para fechar o dia de estudos do que um bom rock'n'roll na orelha.


A levantada para o terceiro round já começou.
Ela acontece apoiada em diversos fatores, incluindo a óbvia ocupação de minha mente com os novos estudos; a certeza de que o sacrifício da distância e isolamento trarão recompensas; a intimidade à prova de distância/tempo de um casamento que contraria esteriótipos; a presença virtual dos bons amigos e da boa família; a presença física deles, como a vinda de Seu Dilvo e Dona Dayse em Abril; e porque não... a presença de um novo PS3 pra agitar as horas vagas !


Beto Guedes me ajuda a fechar mais uma edição deste blog com um pensamento que pra mim faz todo o sentido do mundo: "... a lição sabemos de cor..só nos resta aprender. "


All the best,
Dan