terça-feira, 22 de dezembro de 2009

it's been a long, long, long time...




New York; data terrestre : 22/12/2009. 
São 07:35 de uma manhã de terça feira. Literalmente caí da cama com a cabeça cheia de idéias e sonhos. Enquanto esquento a água para meu diário café, observo através da persiana da cozinha a neve acumulada no fim de semana. Lá fora o termômetro marca 2 graus negativos. 
Cynthia ainda dorme. E eu escrevo, depois de um jejum bloguístico de umas duas semanas.
Desde que ela chegou à cidade os dias tem sido pequenos. São tantas coisas a serem faladas, tantos lugares a serem vistos e tantos momentos a serem vividos que 24 horas parecem insuficientes.
Nosso encontro coincidiu com a visita de queridos amigos, o que tornou os dias ainda mais agitados.
Era hora de levar os "turistas" aos pontos mais famosos da Big Apple, e com alguma sorte, mostrar também a novaiorque por trás das luzes da Times Square. Tarefa impossível, a de conhecer esta cidade em 6 dias. Mas acredito que Condus, Fá, Mateus e Dayanne levaram boas lembranças para querer voltar aqui muitas outras vezes. Visitamos juntos o Central Park e outros parques, a estátua da Liberdade, o museu de História Natural, o ballet Quebra Nozes e muito mais. Mas só vindo várias vezes ou morando aqui para poder descobrir as infinitas e mutantes atrações de NY.
Com a partida da turma, Cynthia passa a viver dentro do ritmo do meu dia-a-dia. E começa a observar os detalhes da minha vivência por aqui: a matéria de meus estudos, os deslocamentos de metrô, o passo apertado das pessoas nas ruas, as diferentes regiões da cidades, a cultura americana e a interferência imigrante, a alimentação, etc.
Além disso estamos conhecendo lugares que guardei pra ela, como o Cloisters, o Metropolitan, a exposição de Tim Burtom, o Soho, o Little Italy e cantos preciosos do Village.
No último sábado tivemos momentos de euforia infantil ao testemunhar os primeiros flocos de neve caindo na cidade. É impressionante como todos correm para as ruas para viver ou reviver este momento. Em poucas horas as ruas já estavam cobertas de branco e, na manhã seguinte, a neve havia acumulado uns bons 40 centímetros. Era o branco que faltava na composição do quadro de Natal que se instalou por aqui, desde as lindas decorações das ruas até o forte espírito natalino que parece inspirar as pessoas.
Amanhã será meu último dia de aula em 2009. Teremos 10 dias inteiros de puras férias.
Me preparo para fechar com orgulho o que realizei até aqui, exceto pelo vergonhoso 80 que tirei na prova de Digital Music Production. Hahahahahah ! Em 2010 pego o código binário pelo pé !!!


All the best,
Daniel


ps: obrigado, amigo Everton ! Por me sacudir e me lembrar de retomar o blog !!! 

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Thanksgiving, Black Friday and Cyber Monday...




01/12: Tem um ótimo filme com Steve Martin e John Candy chamado "Antes só do que mal acompanhado". Lembra desse ? O título original é Planes, trains and automobiles. A película narra a tragicamente cômica ( ou comicamente trágica ? ) luta de um publicitário para viajar de NY até Chicago, onde sua família o espera para o jantar de ação de graças. 
Este filme sempre foi uma referência sobre o Thanksgiving pra mim. Além, é claro, do episódio especial de Charlie Brown sobre o tema.


Nesta última quinta feira, dia 26 de Novembro, peguei o N em direção à Port Authority, de onde sairia o bus para Nanuet. Eu havia sido convidado a passar o feriado com Marcos e sua família.
Entre Astoria e a estação de ônibus, decidi parar na rua 57 com 7a avenida e assistir um pouco da famosa Parada da Macy's. A grande loja realiza, há 83 anos, um grande desfile em Manhattan. Bandas marciais e balões gigantes enfeitam a parada que serve de inauguração da temporada de compras de fim de ano. Ao descer do metrô já pude perceber a sufocante multidão que estava sendo atraída para o evento. Faltavam 40 minutos para o início da festa e centenas de milhares já ocupavam as calçadas ao longo de todo o percurso, entre as ruas 77 e 34. Já não havia como achar um ponto que desse visão para a avenida. Não era possível escapar pelas ruas, pois os policiais haviam "lacrado" o público nas calçadas. Fui obrigado a dar uma volta no quarteirão, nadando contra uma corrente de famílias e turistas para finalmente conseguir entrar numa estação de subway novamente, e seguir para Port Authority.
Achei que eu não deveria ter perdido a tal parada mas, baseado na cobertura feita pela tv, acredito que vou viver muito bem sem ter visto Shrek, Picatchu e Spider Man infláveis, me induzindo a fazer compras.  I will survive.


Tendo passado por aquela loucura, pensei que iria enfrentar insanidades semelhantes na rodoviária. Todas as desventuras daquele filme me vieram à memória. Mas pra minha surpresa, a estação estava tranquila. Entrei no ônibus Rockland Coaches às 10:15am, me sentei confortavelmente e escutei Kings of Leon durante 1 hora e 40 minutos até chegar ao Nanuet Mall,  onde o Sr. DeSousa me esperava com seu Suburban black "FBI".


O espírito da data foi bem evidente, desde cedo na casa. O marine Chris e o dj Phil estavam lá e todos nós ajudamos Helena com algo no preparo da comida que seria servida no jantar.
Levei vinho para a ceia e preparei caipirinhas durante o dia.
Às 6pm, Cida ( irmã da Helena ) chega com o marido e os filhos. Todos à mesa !
Um brinde é feito. As graças são dadas. O protagonista do jantar de Thanksgiving chega à sala: um peru de 15 kilos, acompanhado de mashed potatoes, stuffing, gravy, cranberry sauce e sweet potatoes. Para a sobremesa, torta de maçã e cheese cake. Ufa !
Depois disso, deitar e esquecer.


O dia seguinte foi a chamada Black Friday: lojas em todo o país fazem promoções arrasa-quarteirão, levando muitas pessoas a até mesmo passar a noite numa fila esperando a abertura das portas. Chegamos ao mall às 11am. Já não havia muito mais o que comprar. Os ítens com melhores preços já estavam esgotados.
De qualquer forma, artigos eletrônicos por aqui são normalmente vendidos a preço de sonho, comparados aos valores que pagamos no Brasil. Algumas lojas pareciam ter sofrido um arrastão. Lembra do filme do Jerry Lewis ? Aquilo !
As promoções se esticaram durante o fim de semana e Marcos acabou se rendendo a uma tv LCD de 52 polegadas + Playstation 3. Babei de vontade de comprar este último, mas segurei a onda e me contentei (temporariamente) jogando Fifa Soccer 10, durante sábado e domingo. E como se não bastasse, o dia seguinte também traria um grande evento de vendas: a Cyber Monday, com centenas de ítens com desconto, para compras feitas online.


Na minha Cyber Monday, ganhei carona de volta pra casa, carregando a velha tv de 29' que ficou de escanteio na casa dos DeSousa depois da chegada da nova. Presente de Thanksgiving !
Nova semana de aula em NY, novas expectativas e contagem regressiva para a chegada da Cynthia, nesta próxima terça feira.
It's the Final Countdown!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

just a friday night !


20/11: o que toca na vitrola? o mais recente disco do Counting Crows. Eu sei, isto pode parecer uma obsessão, mas não posso evitar. Esta banda sempre me inspirou a NY... e NY me inspira a ouvir esta banda. Já falei que o vocalista Adam Duritz mora aqui ? pois é ! e mora no Village...onde eu estudo ! ah ! falei que o vi na semana passada ? não me lembro se falei... então...foi assim : meu colega de sala, John Casale, durante o intervalo, em frente à escola, de repente diz: "hey dude, isn't that the guy of the Counting Crows ???" e eu disse : "Whadafuck ???" e não é que era o cara ??? Para a surpresa e perplexidade dos demais, parti em disparada no encauço do poeta ! Acho que ele sentiu o movimento e entrou num restaurante para despistar. Além disso, celebridades em NY devem sofrer de uma certa síndrome "Mark Chapman".
Bom, como eu sei que ele mora na região, em algum momento ele terá que passar por ali e estarei preparado.
Hoje foi um bom dia.
Tive aulas iluminadas sobre equalizadores.
Cada aula destas tem me feito um ouvinte musical diferente: ainda mais detalhista, ainda mais analítico, ainda mais chato ! Acredito que estas devam ser características essenciais para um bom engenheiro de áudio, correto ?
Voltei pra casa e, ao falar com minha linda Cynthia, pude rececer sua ótima energia e expectativa pelo nosso encontro, que acontecerá daqui a 18 dias. And counting...
Hoje pude também falar com meu grande amigo Tocha.
Várias coisas aqui me fazem lembrar deste cara que tem uma das melhores gargalhadas que conheço ! Espero poder recebê-lo aqui, assim como vou receber outros dois irmãos queridos com suas esposas: Mateus&Dayanne e Condus&Fá estão confirmados pra chegar à Big Apple na segunda semana de Dezembro !
Durante esta semana pude providenciar algumas melhorias em meu cafofo, como colocar pra funcionar um aparelho de dvd ligado à velha tv emprestada pro Marcos. Tive que comprar um conversor na Radioshack pra isso poder acontecer, e já estou podendo curtir a coleção de filmes deixada por Phil Maturano, que curiosamente inclui coisas como Star Trek, Woody Allen, Monthy Python, Peter Sellers, etc. É, eu sei... esse Phil também veio do mesmo planeta que eu.
Termino esta edição ouvindo Damien Rice ( e sem me deprimir por isso !!! ), tomando o Septima Malbec 2008 argentino deixado de presente por Phil e colocando o dvd de Casablanca para assistir.
01:23am, numa madrugada de sábado tranquila, passada em casa, em NY, a cidade que nunca dorme !

terça-feira, 17 de novembro de 2009

my first gig in NYC


17/11: ontem fiz meu primeiro show em NY, num lugar chamado Arlene's Grocery. A casa fica no pitoresco Lower East Side de Manhattan, tem uma intensa programação de segunda à segunda e é frequentada por figuras como Jagger, Bowie, Liv Tyler, Natalie Portman e Joaquim Phoenix. Enjoy the pictures !







quinta-feira, 12 de novembro de 2009


13/11: nesta última quarta-feira realizei um sonho: assistir ao Late Show do David Letterman ao vivo! Conseguir o ticket não foi tão complicado... me inscrevi online e depois de algumas semanas recebi uma ligação da produção, me oferecendo o ingresso mediante a resposta para uma trívia sobre o show: "- Há um homem chamado Rupert que aparece de vez em quando no programa. Ele é dono de um negócio localizado próximo ao teatro Ed Sullivan. Qual o tipo do negócio ?" - "uma Deli !"- mandei na lata !
As Deli são como mercearias. São as autênticas lojas de conveniência onde se pode encontrar revistas, cigarros, bebidas, cartões de telefone, frios no peso, congelados e muito mais. Geralmente pertencem a orientais ou indianos. Alguém aí vê Os Simpsons ? Abu tem uma Deli.
Anyways, entrei emocionado no teatro que recebeu os Beatles em sua primeira visita aos Estados Unidos.
Uma equipe de produção numerosa acompanhou a platéia aos assentos e um comediante residente deu aquela aquecida nos ânimos do público.
A banda de Paul Shaffer entra em cena para dar o tom da abertura do programa e o diretor manda rodar...David aparece ! O teatro vibra e o segue em cada piada e comentários sarcásticos sobre os updates do dia.
A primeira convidada é Kate Walsh, protagonista da série Private Practice.
O segundo entrevistado é o ex-tenista Andre Agassi, lançando um livro chamado Open, em que faz revelações bombásticas sobre sua vida pessoal e profissional.
Finalmente, a atração musical ficou por conta de Norah Jones. A filha de Ravi Shankar prova sua qualidade artística a cada disco, sem medo de passear por praias distintas da música.
Infelizmente não pude tirar fotos dentro do teatro. Nem mesmo usar chapéu... mas o coloquei de volta na cabeça ao sair do programa e comprei umas barras de Hersheys na própria megastore antes de pegar meu velho N train de volta a Astoria.



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

California Dreamin



11/11: na madrugada de sexta pra sábado fiz 3 baldeações de subway e peguei o AirTrain que finalmente me levou ao JFK, de onde partiria meu vôo para Los Angeles. Depois de 5 horas e meia no ar cheguei em terra no LAX Airport, onde Stephane me esperava. Sempre bom rever meu amigo Asterix, com seu abraço desajeitadamente querendo ser brasileiro.
No caminho para o hotel meu olhar já foi procurando algo de que pudesse gostar...cores, luzes, ambientes, cenários. Mas quando dei por mim já estava na entrada do Saharan Motor Hotel sem ter captado alguma visão interessante. -What's the rush ?- pensei. Tenho 3 dias para conhecer uma das 2 maiores cidades dos States. Eu havia de descobrir seus atrativos.
Naquele sábado rodei com os gauleses do Pleasure Addiction por Hollywood, visitando a maior lojas de discos e superstores de instrumentos musicais, onde comecei a namorar um bandolim. A tarde seguiu com ensaio da banda e seu vocalista convidado, o francês-californiano Terry Ilous.
Ao sunset, todos literalmente desmaiaram no quarto do hotel e então eu e Stephane caminhamos até a Hollywood Boulevard. Pela calçada da fama seguimos vendo o pouco que há pra se ver, incluindo o famoso Kodak Theater, as marcas de pés e mãos das estrelas e seus patéticos sósias que ganham uns trocados tirando fotos com turistas.
Achamos tudo um pouco estranho...e achamos também um restaurante japa-chinês muito bom! Para a felicidade de Bady, que já não aguentava tanta junk food.
O domingo começou com um ótimo breakfast reforçado, numa conhecida casa de café em Melrose Place. Só fui comer de novo às 3 da manhã !
O restante do dia se arrastou preguiço ( ? ) e ociosamente no hotel, enquanto Stephane preparava trilhas de playback e material de marchandising para o show e, os demais, curtiam a vida rockstar à beira da piscina. Neste meio tempo eu tentei salvar energia para a noite.
O Pleasure Addiction entrou no palco do Viper Room às 9pm em ponto e, depois dos 40 minutos de excelente show, juntamos as tralhas e partimos pra conhecer outros históricos bares da mesma Sunset Strip como o Whisky a Go Go, cuja estrutura ainda ecoa The Doors, Led Zepellin e Janis Joplin.
Meu último dia em LA foi muito bem aproveitado nos estúdios da Universal. Eu, Bady e Matt ( engenheiro de som da banda ) nos esbaldamos como crianças nas atrações do complexo gigantesco da cia de cinema.
Eu já conhecia a versão da Flórida, mas o parque de Los Angeles é o original e, além disso, foi ótimo ver Stephane se soltar sem precisar das 13 caipirinhas do Graças a Deus de BH.
By the end of the day, o pouco que vi de LA não me impressionou. Falta gente e árvores nas ruas. Sobra superficialidade da vida do estrelato e daqueles que fazem de tudo para estar nela.
Naquela noite peguei o avião de volta para NY. No caminho para meu assento 30A, passei por um Kevin Bacon de cara feia, fuçando em seu iPhone. Achei meu lugar e também o 30B vago e meio-que-deitei nos dois pra tentar dormir, sonhando docemente com a chegada na Big Apple.
Eu podia esperar pra sentir o ar frio e a intensa vibração da cidade que nunca dorme.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Look Around



06/11: são 11:28pm de mais uma sexta feira. Chega ao fim mais uma semana de aulas, ao final do primeiro ciclo de curso que já deixa saudades das matérias estudadas e dos professores que as transmitiram com tanta propriedade. Estou preparando minha mochila para voar daqui a pouco para Los Angeles, onde passarei o weekend com Stèphane e sua trupe do Pleasure Addiction. A banda do francês vai tocar pela primeira vez nos Estados Unidos e eu não podia perder a oportunidade de rever "Bady" e de conhecer Hollywood !
Enquanto escrevo estas linhas sigo escutando ( sem parar ) o disco "Four" do Blues Traveler, banda que acompanho desde o primeiro álbum e que tive o privilégio de assitir ao vivo na última quarta-feira. John Popper e Cia se apresentaram no palco do histórico The Fillmore Irving Plaza, um venue relativamente pequeno e aconchegante, que me permitiu estar muito próximo da banda. Não sei dizer quantas vezes já vi estes caras em dvds e videoclips... mas vê-los entrando em cena a 2 metros de mim foi algo mágico. Não pareciam reais. Mas são ! Os discos do Blues Traveler estão entre aqueles que mais escutei "até furar" em minha vida... mas escutar o som poderoso deles em near field foi algo entorpecente. Não podia ser real. Mas é ! À medida em que destilavam seu repertório fui me lembrando do tanto que eu, Micuiba, Caetano ( os Danieis ) e Alexander fomos influenciados por aquelas músicas. A Blitz Krieg bebeu muito nesta fonte que jorra blues/rock com pitadas de country, funk e gospel. Tive a impressão de que hoje, mais velhos, os Travelers estão ainda melhores. A gaita de Popper é conhecidamente a marca mais evidente da banda mas seu trabalho vocal ao vivo me surpreendeu e o coloca, em minha opinião, muito próximo ao mestre Roy Orbison.
Um show de música, profissionalismo e amor pelo ofício de ser artista!
Eram quase 2 da matina quando saí do Fillmore e peguei o subway de volta para Astoria, reproduzindo todas aquelas canções em minha mente até chegar em casa, em especial a maravilhosa Look Around.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Have fun in New York !


05/11: " have fun in New York, buddy ! " - foi o que Phil Maturano me disse antes de entrar no trem e partir pra mais uma de suas longas temporadas, tocando bateria pela Europa afora. Achei Phil através de um anúncio no Craigslist, mesmo site onde achei o "buraco"e todas as outras dezenas de outros apartamentos que fui ver para alugar. Ele procurava alguém, preferencialmente artista, que estivesse precisando de uma morada pelo mesmo tempo em que ele estivesse fora. Os planos dos dois músicos então se encaixaram; Phil pôde viajar tranquilo e eu pude me mudar para um local mais seguro e confortável.
Contei com a ajuda preciosa do Marcos para fazer a mudança, durante a qual percebi que já tenho mais coisas do que tinha quando cheguei aqui. Impressionante, a capacidade (?) humana de acumular ítens !
Marcos não precisou rodar muito para me levar com as trouxas para o novo abrigo, já que este fica também em Astoria/Queens. Ganhei com a distância mais curta entre a casa e a estação do metrô e também com a estrutura comercial mais desenvolvida.
O apartamento fica no andar térreo de um prédio de 4 andares e tem quarto grande, studio-office, banheiro e cozinha. Janelas grandes trazem muita luz natural durante o dia e, à noite, pequenas luminárias espalhadas pela casa podem criar um ambiente muito agradável de luzes indiretas. Eu eu quase não gosto disso !
De repente a paz tomou conta do pedaço. Estou adorando a dinâmica super-intensa de NYC e agora posso ter também a sensação de estar realmente vivendo aqui.
Creio que o baterista Phil sabia exatamente do que estava falando quando me recomendou aproveitar a cidade. Pois ele, americano filho de argentinos, fez sua vida de músico profissional baseado na Big Apple.
Espero que o Sr. Maturano também se divirta na Europa.
Eu seguirei em minhas descobertas e aprendizados aqui, celebrando o recomeço com o vinho argentino presenteado pelo dono do apartamento.
Have fun !



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Happy Halloween...whatever that might be !




03/11: depois de participar da colheita de maçãs em Upstate New York, minha semana se desenvolveu em beat acelerado. Dividi meu tempo entre os estudos para as provas finais do primeiro Quarter do curso e os preparativos para a mudança de casa. Pude também fazer um chill out, me encontrando com a Fernanda "Micuiba", de férias por aqui. Levei a noiva de meu amigo Daniel e sua turma ao Cafe Wha, local onde Hendrix e Dylan se apresentavam nos "sixties".
Na sexta entreguei as chaves para a landlady grega e saí do buraco ! Homeless até segunda, peguei o bus para Rockland County, buscando abrigo na casa de minha família americo-brasuca, os DeSousa.
Marcos, Helena e Phil me receberam muito bem como sempre, e nos divertimos com boa conversa, boas risadas, comida, bebida e baseball.
Me programei para, no dia seguinte, curtir o primeiro Dia das Bruxas legítimo de minha vida. Minhas outras experiências com o Halloween se deram nos tempos de english teacher no Top Class, onde simulávamos ( em grande estilo até ! ) a comemoração na escola para que os alunos pudessem sentir um pouco do gosto da tradição norte-americana.
Anyway, na tarde nublada do dia 31 de Outubro eu e Phil pegamos o ônibus para Manhattan, para assistir à famosa parada de Halloween do Village. Trata-se de um desfile de pessoas fantasiadas não só de monstros e criaturas de horror, mas também outras criativas manifestações representando personagens de filmes, cartoons e até mesmo mensagens políticas. Phil tinha várias máscaras de Halloweens passados e escolhi a do Jason, que usei desde o trajeto de metrô para o Village, até a volta para a casa do Marcos.
A parada é meio...parada ! Acho que nós brasileiros estamos mal acostumados com as nossas festas agitadas e carregadas de música, o que não foi o caso deste Halloween. Talvez a forte chuva tenha dado uma apagada no brilho, mas as fantasias estavam bem bacanas.
Nosso plano de assistir ao desfile se desviou quando decidimos furar a barreira policial e passar a fazer parte da parada.
Completamente ensopados, eu e Phil andamos, pulamos e dançamos pela 6a Avenida afora.

Apple Picking !


03/11: O outono parece ser a estação favorita dos nova-iorquinos. Todos por aqui se referem ao período com enorme entusiasmo e paixão, ressaltando o variado colorido das folhas e o clima "levemente" frio. Levemente pra eles, pois a temperatura de hoje já seria a de um rigoroso inverno em BH.
De qualquer forma, as vestimentas da temporada já começam a sair dos armários e ir para as ruas, que é uma verdadeira passarela para todas as tendências de moda: casacos, jaquetas, cachecóis, luvas, botas e chapéus...muitos chapéus !
Várias atividades estão ligadas à experiência do outono, como o passeio que fiz com a família do Marcos pela região de 7 Lakes, ao norte de NYC.
Muitas famílias se deslocam pra lá, buscando curtir a vista da sequência de lindos lagos que espelham as multicores das árvores ao redor deles. Uma paisagem deslumbrante, que já vimos em muitos filmes e puzzles de 500 peças.
Na mesma região, fazendas de maçãs abrem as porteiras para o chamado Apple Picking. Tive a oportunidade de caminhar entre a plantação de maçã, comer à vontade e ainda levar pra casa uma sacola cheia. Paga-se apenas pelo que se leva ! Preciso dizer que vou ficar um tempo sem comer maçã ?

sábado, 24 de outubro de 2009

Capítulo à parte...


24/10: este episódio é apenas para registrar uma experiência muito especial da semana que acaba de passar. Na quarta feira tive o privilégio de assistir a um concerto da Orquestra Filarmônica das Américas, no Lincoln Center de New York.
A Orquestra de apenas 5 anos de idade é conduzida pela maestra mexicana Alondra de la Parra e conta com músicos jovens vindos de pontos distintos das Américas, como o violonista Flávio Gaete, que é da Venezuela e é professor na IAR. Aliás, foi através dele que consegui o ticket para entrar no evento.
O programa contou com peças de compositores do século 20, incluindo Astor Piazzola, Leonard Bernstein e Igor Stravinsky.
Foi simplesmente a orquestra mais perfeita que eu já assisti ao vivo, algo tão envolvente e enérgico que não vi as mais de 2 horas de concerto se passarem.
Uma orquestra com um nível de afinação e de dinâmica impressionante.
Sem falar na beleza e perfeição de projeto acústico do local! O Rose Hall é apenas um das "salas" do Lincoln Center, um gigante complexo cultural que abriga diversos espaços para shows, estúdios, lounges, cafés e refinados restaurantes.
Sem dúvida foi mais um capítulo que amplia ainda mais minha noção das possibilidades de atuação na indústria do áudio.
New York é mesmo "the city that never sleeps".


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Good Day Sunshine !


19/10: após 7 dias vivenciando os 5 graus com vento e garoa em New York, hoje o dia nasceu com céu azul e o sol deu o ar ( ainda frio ) da graça, iluminando as folhagens já amareladas do outono. Tá muito poético isso ? Pode ser assim então: depois de uma semana com clima horroroso, hoje finalmente deu sol. Hum...prefiro a primeira versão !
Voltando então às folhagens amareladas do outono, acordei hoje com o sol também dentro de mim. Acredito que seja resultado dos encontros que tive com os amigos Wlad e Laurinha que, de férias nos EUA, passaram uma semana na Big Apple e tivemos a chance de fazer alguns programas juntos. O ápice foi a última noite deles aqui. Fizemos uma verdadeira via-sacra por vários pubs do Village, experimentando cervejas, appetizers e diversas bandas de rock. Muitas gargalhadas depois, a noite acabou quase de manhã, com uma despedida engasgada dentro do metrô.
Desde a minha vinda, talvez este encontro tenha sido o mais próximo que me senti da Cynthia e de todos aqueles queridos que deixei no Brasil. E ao mesmo passo que aperta o coração, também o enche de energia para que eu continue em minha missão, ainda mais certo sobre o caminho escolhido.
Eddie Vedder canta sobre a escolha de caminhos na música "Thumbing my way", dizendo que muitas vezes na estrada de nossas vidas ignoramos as placas enferrujadas, preferindo escolher aquelas mais brilhantes. E realmente corremos o risco da ilusão vendida pelo brilho superficial de certos caminhos. Creio que o mais difícil seja conseguir perceber e buscar o brilho que há por trás da ferrugem.
O outono já é. O inverno já vem. Ainda estou na busca de um outro apartamento e já entro na terceira bateria de provas no curso. Enquanto o tempo passa eu também vou passando por vários conteúdos, informação, conhecimento, lugares e pessoas. Melhor que ver o tempo passar, é passar pelo tempo.

E pra terminar, The Beatles:

Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine

I need to laugh, and when the sun is out
I've got something I can laugh about
I feel good, in a special way
I'm in love and it's a sunny day

Good day sunshine
Good day sunshine
Good day sunshine



domingo, 11 de outubro de 2009

it's all about the music...


12/10: no primeiro semestre deste ano eu li um livro que serviu de grande inspiração e contribuiu fortemente para minha decisão de estudar Audio Recording aqui em New York. "Making Records" é o relato de Phil Ramone sobre sua carreira como produtor musical e engenheiro de áudio, gravando nomes como Frank Sinatra, Tony Bennet, Billy Joel, Ray Charles, Bob Dylan, Paul Simon e Tom Jobim. Preciso falar mais ?
Hoje eu fui presenteado com a oportunidade de ouvir e ver Phil Ramone falando durante duas horas na palestra de encerramento da Convenção de Engenharia de Áudio em NYC.
Como se não bastasse, pude agradecê-lo pessoalmente pela inspiradora palestra e pelo livro que, de alguma forma, fez com eu estivesse ali naquele momento.
Apertei sua mão e nela deixei um CD com amostras de meu trabalho.
Ele prometeu escutar e me fez uma dedicatória, rabiscando o folder do evento.
Durante os 4 dias de convenção, tive a chance de ouvir também outros produtores e engenheiros lendários, responsáveis pelo desenvolvimento de artistas que fazem parte da minha formação musical: Kevin Killen ( U2, Peter Gabriel ), Mike Clink ( Guns'n'Roses, Whitesnake ), Sylvia Massy ( Tool, System of a Down ), Dave Reitzas ( Madonna, David Bowie ), Bruce Swedien ( Michael Jackson, Duke Ellington ) e Tony Visconti ( Paul McCartney ).
Sem falar na exposição de novos equipamentos e na gama de informação disponível, sobre as inúmeras possibilidades de atuação na indústria atual do áudio, considerando as transformações tecnológicas e os desafios lançados pelas novas mídias.
Definitivamente, a vivência proporcionada por este evento me mostrou com considerável clareza a dimensão e a complexidade de uma indústria que me parecia tão distante lá de trás das montanhas.
E finalmente, a frase mais importante e marcante que ouvi do ganhador de 14 Grammys que terminou sua palestra aplaudido de pé por 300 profissionais do áudio foi : "- keep in mind: it's all about the music! ". E ele tem razão... a música é a razão e o combustível para que esta máquina continue funcionando, com qualidade, sentimento e as melhores das vibrações.
Thanks so much, Phil !

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Joe's Pub, (uncle) Sam and other stories...



01/10: depois de 2 semanas com brutas variações climáticas, parece que agora o outono chegou pra valer em New York. A temperatura de ontem chegou a 9 graus e eu saí da escola tremendo, sob as risadas dos colegas "- você não sabe o que te espera em dezembro e janeiro ! ", so they said.
Já com um sweater um pouco mais grosso dentro da mochila, hoje preparo também meus instrumentos para uma audição de estúdio marcada para amanhã. Passados os choques de adaptação, já consigo respirar melhor os ares musicais da Big Apple e, consequentemente, aspirar ainda mais música para a minha vida. Na semana passada tive a a oportunidade de conhecer um lugar chamado Joe's Pub: uma fantástica casa noturna, com ares de jazz club, excelente tratamento acústico e projeto de som impecável. O chamado Pub é parte integrante do Public Theater de New York que é um ponto cultural histórico e se ocupa em apresentar uma intensa programação musical diária, com 3 shows por dia. No Joe's você pode ter o prazer de conhecer novos e emergentes artistas; e também pode ter o privilégio de assistir uma performance intimista de Elvis Costelo, Bono Amy Winehouse ou Lenine. Por mais irônico que possa parecer, o show que assisti na última quinta-feira foi de um brasileiro chamado Kiko Klaus: natural do Pernambuco e residente em BH, Kiko faz um som baseado na tradição sambista e bossanovista, porém com roupagens e texturas bastante contemporâneas. Na banda, velhos conhecidos da noite de BH como André Limão e Felipe Fantoni. Como participação especial, Raquel Coutinho com sua voz e tambor poderosos ! Chris e Jake, meus colegas de sala, me acompanharam nesta noite musical e se impressionaram com a sonoridade brasuca de Klaus.
Tenho um vizinho de porta, que aluga o studio #2 do basement da família Grega. Eu só tinha visto Sam na minha primeira manhã neste endereço, quando me apresentei e ouvi uma reclamação sobre o barulho do meu ventilador ( ainda fazia calor naqueles dias ! ). Trombei com o "tio"de novo esta semana e desta vez fui convidado pra um café em seu studio, que é do tamanho do meu porém sem janelas. Aceitei o chamado e passei alguns minutos ouvindo a triste história de Uncle Sam, que é palestino de Israel, morou 25 anos em Manhatan fazendo um bom dinheiro como florista mas perdeu tudo após um divórcio e agora se vê desempregado. Completamente frustrado e visivelmente abatido, meu curioso vizinho confessa que chega a pensar até em assaltar um banco ou "coisa parecida" diante de seu desespero. Foi exatamente nesta parte que me "lembrei" que eu tinha que fazer uma ligação e pedi licença, very politely.
Voltei para meu pequeno studio com janelas e tomei uma bela ducha quente ( uma das melhores características do imóvel ! ) para aliviar a dor nas costas que vinha me acompanhando há dias. Apesar da boa ducha, continuo procurando uma nova morada, na qual eu possa me sentir melhor durante o rigoroso inverno que vem se aproximando sem misericórdia.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Hook and the lost boys...

22/09: depois de uma pesada prova de Audio Electronics e mais um laboratório de Pro Tools, saí da IAR hoje acompanhado dos colegas com quem tenho mantido mais contato. Jake, Jack e Chris são, como a grande maioria dos alunos da escola, jovens na faixa dos 19 anos. Todos eles já têm alguma relação principiante com a música, seja tocando guitarra ou fazendo experiências caseiras de gravação de áudio. Sendo assim, eles já começam a perceber que eu já venho percorrendo um caminho um "pouco" mais longo. But anyway, carregando minha recém-adquirida Guild, caminhei com os caras até a Union Square, que é onde pego o trem N para o Queens, e é também onde metade da comunidade estudantil do Village se encosta depois das aulas. A praça/parque é um verdadeiro circo ! E hoje o picadeiro estava mais diverso do que nunca: ilusionistas, malabaristas, cantores de ópera e comediantes competiam pela atenção e pelos trocados dos passantes. O impressionate é a alta qualidade das apresentações, cujos protagonistas poderiam muito bem estar nos melhores palcos do mundo. E o público presente reconhece isso e realmente contribui com valores variados, que vão de quarters a notas de 5 dólares. Começo a pensar em abrir o case do meu violão para depósitos ! E pensando nisso, achei um canto vago na praça, tirei o tal Guild do case e comecei a tocar algumas canções, ainda na companhia do trio J,J&C. Hoje ainda não ouvi o tilintar de quarters dentro do estojo, mas atraí a atenção de algumas figuras, com destaque para um ex-US Marine maltrapilho. O cara tinha um braço-de-pau todo tatuado e com um gancho ( !!! ) no lugar da mão. Chegou perto pedindo que eu tocasse algo do Johnny Cash mas teve que se contentar com "you've got to hide your love away", dos Beatles. Um personagem que deve ter mil histórias pra contar e mil experiências para dividir, mas seu braço e sua alma mutilada pela ignorância militar americana o tornou um fantasma cheio de mágoas e preconceitos. Foi fácil perceber estas cicatrizes quando ele começou a destilar ( e havia muito destilado ali dentro daquela cabeça ! ) suas opiniões. Este encontro meu deixou um pouco chateado mas não tanto quanto a notícia que Chris me deu sobre uma colega de nossa turma, que está viciada em heroína. Algo me diz que ainda vou me deparar com muitos casos destes garotos envolvidos com loucuras variadas... e que em algum ponto terei um papel mais presente nesta história.

domingo, 20 de setembro de 2009

Long Nights...




Long Nights ( Eddie Vedder )


Have no fear
For when I'm alone
I'll be better off than I was before

I've got this light
I'll be around to grow
Who I was before
I cannot recall

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground

I'll take this soul that's inside me now
Like a brand new friend
I'll forever know

I've got this light
And the will to show
I will always be better than before

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Imagine...


16/09: day-off.
a escola IAR deu folga pra minha turma hoje, devido às provas e à aula especial do próximo sábado. Aproveitei o dia para visitar o museu Rock'n'Roll Hall of Fame, que fica no SoHo.
O museu é super bem estruturado e promove uma intensa interatividade com o visitante que, ao entrar, recebe headphones ligados a um receptor que ativa a trilha sonora do passeio de acordo com a sua localização. Fiz uma verdadeira viagem pela história do rock, desde os primórdios até hoje em dia: John lee Hooker, Muddy Waters, Chuck Berry, Elvis Presley, The Beatles, The Who, Led Zeppelin, Queen, U2...pra citar apenas alguns dos ícones cujas histórias e objetos estão expostos lá.
Eu já sabia da existência do Hall of Fame, mas uma exposição específica me atraiu pra lá: John Lennon - The New York City Years. Yoko Ono preparou esta exibição especial com pertences, manuscritos e vídeos de John, relativos ao tempo em que ele viveu em NYC, ou seja, de 71 até a sua morte. A mostra conta com objetos nunca antes vistos pelo grande público, como a Gibson Les Paul Junior com a qual John tocou no Madison Square Garden, a jaqueta militar que o vestiu diversas vezes, o chapéu preto com um pena, usado em suas caminhadas pelo Central Park e vários originais de letras de músicas como "Woman", "Just like Starting Over"e "Watching the wheels". Vídeos inéditos de entrevistas de Lennon são exibidos ao longo da galeria, alternados pelas intervenções de suas músicas. Estampados nas paredes, estão trechos de declarações de Lennon sobre a cidade de NY, nas quais ele expressou seu amor pela cidade. A emoção é incontrolável. Nunca me senti tão perto do cara. O desfecho é um golpe duplo: 1) foto feita por Yoko, mostrando New York através dos óculos de John ainda sujos de sangue. 2) um pacote embrulhado com papel pardo, entregue à Sra. Lennon pelo hospital St. Luke's-Roosevelt, contendo as roupas que John usava quando foi morto. Depois disso, Yoko pede a assinatura dos visitantes para uma petição comandada por ela, clamando por leis mais severas sobre o porte de armas nos Estados Unidos. Talvez NY seja o mais próximo de Imagine que John tenha chegado: a mistura de raças e culturas é tão intensa que se tem a impressão da ausência de fronteiras.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

step by step...( uh baby ! )


11/09: chega ao fim minha segunda semana de curso e a primeira na nova casa. A adaptação não vem sendo muito fácil, então faço meu melhor para tornar a HOUSE o mais próximo de HOME que eu puder. Tento também, por incrível que possa parecer, estruturar uma rotina. Criei um horário para acordar, sair pra correr no Astoria Park, have my breakfast, estudar um pouco e depois pegar o subway para o Village, onde fica a escola. O período de aulas se torna a melhor parte do dia, quando não vejo o tempo passar por estar envolvido com o conteúdo apresentado pelos professores. Saio da IAR às 6pm e pego o trem na estação da Union Square... em 30 minutos estou em casa.
Hoje fez frio e choveu fino durante todo o dia. Meu susto foi ver os nativos usando camisetas sem manga e achando o clima gostoso. Acho que realmente não tenho noção da temperatura que me espera em janeiro.
Hoje, depois de 4 noites dormindo num colchonete, é minha estreia na cama novinha em folha comprada pela minha landlady Grega ( a Helena ), para meu uso. À caminho do topo em NYC, já subi 50cm !
A cortesia vinda do Olimpo não parou aí...o filho Izzy liberou sua senha para que eu use o wi-fi super rápido da casa, o que facilita bastante minha comunicação e a atualização deste blog.
Fecho a tampa de hoje ao som de Counting Crows, comendo uma lasanha de microwave e tomando uma Corona; afinal, eu mereço.
take care...



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

the king of Queens...




9/9/9: esta quarta feira amanheceu já um pouco mais cinza, dando sinais do fim oficial do verão novaiorquino. O ar ligeiramente mais frio entrou pelas duas pequenas janelas do studio que aluguei em Queens, onde estou morando há 2 noites. O pequeno quarto conta com banheiro e uma stand-up kitchen com bancada e frigobar, e fica no basement de um sobrado habitado por uma família Grega: Dimitri, Helena ( tipo a de Tróia ) e o filho Izzy. A mudança foi difícil, mas fielmente amparada pelos DeSousa. Helena ( DeSousa ) me emprestou colchão, prato, talheres, panela, microondas e tudo mais. Marcos fez o transporte em sua Suburban e se mantém presente pelo telefone e em eventuais encontros pelas esquinas de Manhatan.
Meu plano é visitá-los em Nanuet, nos finais de semana.
Por falar em weekend, neste último NYC foi palco do anual Brazilian Day. A festa atrai mais de 1 milhão de imigrantes tupiniquins, que lotam a 6a Avenida em busca de música, comida e vibração brasucas. Parece mesmo uma festa brasileira, mas sem cerveja...

Terceira semana...terceiro desafio: me adaptar à condição de morar sozinho.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

some things after August...



Ainda habitando as terras verdes de Rockland, finalmente consegui tempo e cabeça para continuar depositando palavras neste diário de bordo. E assim o faço, com a tv ligada num canal ( de número 186 !!!! ) que exibe apenas videos dos 4 cabeludos de Liverpool. No ar, Paul live in St. Petersburg.
Depois da minha última postagem, muita água correu por baixo da Brooklin Bridge.
Terminei minha primeira semana num sports bar chamado Buffalo Wild Wings, na companhia de Marcos, seu filho Phil e sua turma de teens. A "noitada" de meu primeiro sábado aqui foi à base de várias rodadas de chicken wings, refills infindáveis de sprite para os menores e algumas Heineken para este que vos escreve. E as incontáveis telas de LCD espalhadas pelo bar exibiam lutas do campeonato UFC ( Ultimate Fight Championship ), várias delas protagonizadas e vencidas por lutadores brasileiros. Sob os olhos assustados/irritados dos locais, puxamos em duo um "Ole, Ole, Ole, Ola !
A segunda semana veio com minha estréia na escola e se desenrolou com muitas surpresas, algumas delas assustadoras como as disciplinas de Física e Matemática de Engenharia Elétrica e Eletrônica.
Semana de adaptação total: aos different accents dos professores, às matérias inéditas em minhas vida e aos novos colegas americanos ( e a outra estrangeira além de mim, vinda da Índia ).
Semana corrida, saindo de Nanuet bem cedo e voltando bem à noite. A foto acima mostra a estrada de Rockland County para NYC. Se olhar bem ao fundo, verá um pouco do perfil de Manhatan.
A busca por um home-sweet-home continua, nada fácil. Mas a cidade já começa a ficar de alguma forma familiar, seja na loucura das conexões do Subway ou nos vários oasis verdes espalhados pela Big Apple. As praças e parques representam um importante alívio para aqueles que aqui vivem, trabalham e estudam, uma vez que esta população realmente toma posse e utiliza estes bem cuidados espaços.

See you later !


sábado, 29 de agosto de 2009

August and Everything after...


25/08: como eu já havia dito, acordei com o som da campainha. Era o funcionário da American Airlines trazendo minha Fender Telecaster. Depois de fechar a porta, desembalei o estojo sedento para conferir se estava tudo ok e também tocar alguns acordes de canções dos Counting Crows, já antecipando o que eu ouviria e veria no show daquela noite.
Depois do café desci para Manhatan para fazer uma ronda no Greenwich Village, bairro que frequentarei diariamente durante 9 meses. Dei um hello na escola IAR e depois me sentei com um jornal na Washington Square, selecionando alguns anúncios de apartamentos na região. Com um celular emprestado do Marcos tentei contato com corretores e proprietários, ficando então bastante aterrorizado com os valores dos aluguéis e principalmente com o estado ruim dos imóveis.
Após a última tentativa do dia, corri para o Hammerstein Ballroom, local onde aconteceria o show de Adam Duritz e cia.
Acho que só me dei conta do que isto significaria quando entrei no teatro, que já estava praticamente lotado.
Comprei uma Corona com limão, de 8 dólares ( ! ) e achei um bom espaço na pista, de onde eu receberia um presente de 4 horas de música pura.
A programação já previa a participação de 2 outras atrações : a banda Augustana e o cantor Michael Franti com seus Spearheads. Mas a surpresa foi a forma como o concerto foi estruturado: Counting Crows alternando com os outros artistas, durante todo o tempo !
O show ganhou um status de espetáculo, gerando diferentes dinâmicas e cores sonoras ao longo daquelas 4 horas. Os anfitriões do palco concederam, desta forma, um respeitoso destaque aos convidados, ao invés do costumeiro papel de "bandas de abertura".
Augustana, de San Diego, faz um folk rock pop bem na linha dos Crows.
Michael Franti & Spearheads, de San Francisco, surpreendeu o público com um som vibrante carregado de funk, soul e reggae.
E finalmente, minha expectativa de 16 anos de espera foi superada ao ver os Counting Crows em ação ! É uma verdadeira lição presenciar uma banda que teve seu álbum de estréia em 93, se apresentar com uma energia adolescente.
E simplesmente não há como explicar o que foi sentir de perto canções como Long December, Goodnight Elizabeth, Have you seen me lately, Omaha e é claro, Mr. Jones.
A foto acima mostra Adam ao final do show, estampando The Beatles em sua camiseta.
Depois da experiência que vivi naquela noite, posso pessoalmente renovar o sentido do título do primeiro disco da banda: August...and EVERYTHING after !
Enjoy the video below!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Rockland



24/08: cheguei ao aeroporto JFK às 10:15am, onde um motorista brasileiro me aguardava. Entrei no Lincoln verde de Ricardo com minha mala e minha mochila, mas sem minha guitarra. A telecaster ruiva havia ficado pra trás em Miami, mas a cia me garantiu que ela seria entregue no endereço que forneci, assim que o próximo avião chegasse em NY.
Botei fé na promessa, mas juro que respirei aliviado quando na manhã seguinte um funcionário da American bateu a campainha com a Fender em suas mãos; impecável.
O endereço era em Nanuet, bairro de Rockland ( beautiful name ! ) localizado ao norte de NY.
A casa era da familia DeSousa, onde Marcos, Helena e Philip me receberam de braços abertos e cama arrumada. Depois de um banho e um belo lanche, assisti o Late Show do Letterman ( ao vivo ) e desmaiei.

I'm going to New York !


23/08 : Os dias que antecederam minha saída do Brasil foram banhados por um mix de sentimentos que causaram as mais diversas sensações: euforia pela viagem, ansiedade pelo que encontraria ao longo da jornada, e angústia da distancia pelos 9 meses seguintes em outro continente. Entrei no avião bastante anestesiado, sem conseguir sentir que na verdade meu coração estava apertado, meu cérebro embaralhado e meu estômago esburacado.
Durante as 12 horas que se seguiram eu me vi tentando fingir que eu queria dormir, que aqueles 1/2 metros quadrados eram humanamente confortáveis e que aquelas comidinhas minúsculas eram saborosas. Todas as pessoas que deixei e suas faces e palavras perambularam pelos meus pensamentos enquanto eu assitia a cada milha percorrida pelo aviãozinho no mapa exibido nos monitores do Boing.
Apertado como uma sardinha, mas com a certeza de estar embarcando para um novo e belo caminho e com a felicidade dos amores e das amizades manifestadas em minha festa de despedida e bota-fora.
Obrigado !
See you later, Alligator !